terça-feira, abril 16, 2024
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G5 quer 22% de reajuste salarial para metalúrgicos da CSN

Por Pollyanna Xavier

O G5 – grupo que comanda o Sindicato dos Metalúrgicos – realizou uma assembleia no final da tarde de quarta, 27, para discutir e, se possível, aprovar a pauta de reivindicações do Acordo Coletivo dos Trabalhadores da CSN (ACT 2024/25). Foi na Praça Juarez Antunes, na Vila, e não reuniu nem 30 operários. Leandro Vaz, diretor jurídico do Sindicato, leu a pauta – que este ano tem cerca de 60 itens – e mostrou que a nova gestão repetiu o erro que Edimar Miguel cometeu no ano passado: quer um aumento salarial de 11 a 22%, com o índice do INPC acumulado em menos de 5%.
A pauta foi lida e aprovada por aclamação por seis gatos pingados que estavam na praça, ou seja, quase ninguém dos mais de cinco mil trabalhadores da UPV. A verdade é que chovia no momento da assembleia, o que pode ter atrapalhado os planos e trabalhos de Odair & Cia. Com a aprovação, o documento foi protocolado no RH da CSN, na quinta, 28, e o G5 aguarda para as próximas semanas uma reunião com representantes da empresa para a leitura e entendimento da pauta. Oficialmente, essa reunião abre as negociações daCSNcomoG5–desta vez, sem Edimar.
Nos itens econômicos, além do aumento salarial de até 22%, o G5 quer um reajuste de R$ 200 no cartão-alimentação, que pularia dos atuais R$ 1.000 para R$ 1.200. A PLR/ abono também foi citada na pauta, com pedidos de R$ 10 mil para cada trabalhador, independentemente da faixa salarial e dos resultados financeiros obtidos pela CSN em 2023. “Vamos batalhar para que a PLR/ abono volte a ser paga no mês de abril. Há sete anos isso não acontece mais”, lamentou Leandro Vaz, ciente de que, para isso acontecer, o item deveria ser reivindicado à parte e não junto com o ACT, cuja negociação costuma se arrastar por meses.
A assembleia, embora vazia de trabalhadores, não passou incólume de quem atravessou a praça Juarez Antunes. É que debaixo da passagem superior da CSN, a poucos metros de onde o G5 se concentrou, estava o ex-presidente Edimar Miguel acompanhado de alguns militantes da CTB – a central sindical que ainda o apoia. Edimar usava um microfone e gritava para que Alex Clemente, ex-tesoureiro do Sindicato e atual diretor de Comunicação, explicasse o ‘desvio’ de R$ 670 mil das contas da entidade. Dos apoiadores fiéis de Edimar, um deles chamou a atenção pela ausência: o advogado Tarcísio Xavier não apareceu para dar apoio.
Por falar em Tarcísio, um associado do Sindicato enviou ao aQui um áudio do ex-assessor jurídico sugerindo que os trabalhadores cercassem e balançassem o carro de som do Sindicato no momento em que o G5 estivesse lá em cima falando aos operários na assembleia. A ideia era repetir uma situação ocorrida no passado, com o então presidente do Sindicato, Carlos Perrut, em que o ex-líder sindical foi obrigado a descer, depois que trabalhadores da UPV passaram a balançar o veículo, encerrando a assembleia. A sugestão foi encarada pelo G5 como mais uma tentativa de conspiração contra a executiva sindical.

Edimar tentou tumultuar assembleia de Odair

Pauta
Ainda sobre o ACT 2024/25 da CSN, o G5 reivindica melhorias nos itens sociais e econômicos, como, por exemplo, a abrangência nacional do plano de saúde (atualmente ele é regional); fim do banco de horas; prêmio- aniversário; piso de dois salários mínimos; 5% do Ebitda para todos os operários; plano de saúde para os trabalhadores admitidos antes de agosto de 1992 e que já estão aposentados (e vivos, claro); reintegração de todos os demitidos em abril de 2022 e ainda a possibilidade de pegar empréstimos e pagar em até 12 vezes.
Além destes, um item chamou a atenção: a defesa da jornada de trabalho de 36 horas/semanais. Isto parece indicar a volta do turno de seis horas – cuja proposta foi derrubada no último acordo de turno, negociado entre novembro e dezembro do ano passado, quando os trabalhadores da CSN decidiram pela jornada de oito horas pelos próximos dois anos. Voltar com isso agora pode levar a CSN ao entendimento de que o Sindicato não pretende respeitar a norma vigente, tornando a questão um empecilho para o avanço nas negociações do ACT.
O aQui comparou as pautas de 2024 e 2023, e elas são muito parecidas – salvo por alguns detalhes. Até o reajuste salarial reivindicado este ano segue nos mesmos percentuais do ano passado. Itens polêmicos (que são discutidos na Justiça), como a reintegração de demitidos e o pagamento da PLR em vez de abono, não apresentaram qualquer mudança.
O fato é que o trabalhador esperava algo novo, até porque Edimar foi retirado do cargo não apenas pelo descumprimento de normas estatutárias, como defende o G5, mas também pela forma como conduziu as últimas negociações com a CSN. Edimar não conseguiu cumprir as promessas de campanha, não trouxe nada novo, foi acusado de prejudicar o trabalhador e pode atrapalhar, e muito, a condução do ACT pelo G5. Diante do cenário, se a Executiva não apresentar novidades, terá repetido mais do mesm

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