segunda-feira, fevereiro 26, 2024

Forças do mal

Drable relata invasão de bandidos de Angra dos Reis e pede implantação do ‘Segurança Presente’

O prefeito Rodrigo Drable há anos vem tentando vender Barra Mansa como município ideal para receber investimentos, seja de pequeno, médio ou grande porte. Não importa. Um dos seus principais argumentos é que a cidade está bem no meio do eixo Rio-São Paulo, cortado pela Via Dutra. Pois bem. O atrativo também ser ve para as forças do mal. “O esforço que o Estado empreende em outros locais faz com que a criminalidade venha pra cá”, alertou ao receber, na tarde de segunda, 6, o comandante do 5° CPA (Comando de Policiamento de Área da Polícia Militar), coronel Renato Assis Ferreira, para discutir ações de segurança pública que podem ser realizadas no município.
Na reunião, que contou com a presença dos secretários de Ordem Pública, capitão Daniel Abreu, de Administração, Gabriel Resende, e de Planejamento Urbano, Eros dos Santos, além do procurador- geral do município, César Catapreta, Rodrigo deixou claro que Barra Mansa espera contar com a Operação Segurança Presente, que, inexplicavelmente, ainda não chegou ao município. “O Segurança Presente é uma necessidade, porque o cenário de segurança da região foi alterado a partir das ações em outras áreas. A mancha criminal se desloca à medida que você a sufoca em um ponto. O esforço que o Estado empreendeu em outros locais fez com que a criminalidade viesse para cá”, reiterou, apontando medidas que podem ser tomadas nesse sentido, como implantação de câmeras de segurança e aumento do efetivo da PM.
O coronel Renato Assis Ferreira, há pouco no cargo, agradeceu a oportunidade de ouvir o prefeito e conhecer um pouco da região. “A região é muito grande. Cada coisa que acontece aqui pode dar a impressão de que a violência aumentou. É muita importante termos encontros como esse, uma oportunidade de interagir com os prefeitos e secretários de segurança. Nosso trabalho na Polícia Militar é um processo de aprendizado, sempre em prol da sociedade”, concluiu.
Os dois – Drable e Renato – têm razão. É que o aQui descobriu que a violência tem aumentado no município por um pequeno grande detalhe, que comprova a tese defendida pelo coronel da PM de que tudo que acontece em Barra Mansa dá a impressão de que a violência aumentou. E aumentou mesmo. Prova é que, na semana passada, vários assassinatos foram registrados na cidade, sem contar uma chacina, com quatro mortes, ocorrida em fevereiro, no bairro Santa Lúcia, motivada, segundo alguns policiais, pelo tráfico de drogas. “Temos uma migração constante, entre algumas regiões (bairros), de bandidos ligados ao CV (Comando Vermelho) que vêm do Rio e de Resende para a nossa cidade e praticam crimes aqui (em Barra Mansa)”, explicou o capitão Daniel Abreu, secretário de Ordem Pública do governo Drable.
Ele vai além. Diz que a migração mais comum é a de bandidos de Angra dos Reis, que fogem para Barra Mansa e passam a atuar na cidade – quando as forças de segurança do Estado aumentam a repressão nas cidades do litoral sul fluminense. “Também temos criminosos do Terceiro Comando que migram de Angra, de Volta Redonda. É
um problema para a nossa cidade”, completou.
Ou seja, Rodrigo Drable está tendo que enfrentar (sem que a PM o ajude, grifo nosso) uma briga do Comando Vermelho com o Terceiro Comando pelo tráfico de drogas em Barra Mansa. “Nós identificamos vários criminosos oriundos de Angra dos Reis”, dispara.

Comparação
Tendo que conviver com a guerra pelo poder dos integrantes do Comando Vermelho (CV) e do Terceiro Comando, alguns vindos até de São Paulo, Rodrigo tem razão em pedir a ajuda da PM para reforçar o policiamento ostensivo, com a presença de equipes do projeto Segurança Presente. Para que o leitor entenda o problema, Barra Mansa, por exemplo, segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), só fica atrás de Volta Redonda em termos de insegurança. E olha que a cidade do aço já conta com três equipes do Segurança Presente – na Vila Santa Cecília (com 14 PMs), Amaral Peixoto e Retiro – e Barra Mansa não tem nenhuma. Importante: Volta Redonda, inclusive, já anunciou mais duas equipes ainda para o primeiro semestre.
Para piorar o lado de Rodrigo Drable, cidades como Miguel Pereira – que vive do turismo, onde no Carnaval não foi registrado nenhum crime – e Barra do Piraí, bem menores do que Barra Mansa, onde os índices de criminalidade não assustam ninguém, também já foram contempladas com o Segurança Pública, o que leva muita gente a crer que o projeto está sendo usado politicamente para atender a determinados grupos de prefeitos e deputados. “É só comparar os índices de roubos, furtos e homicídios de Barra Mansa com os de Miguel Pereira e Barra do Piraí”, sugere uma fonte do aQui, pedindo anonimato.
Ela tem razão. Durante a semana, a secretaria de Segurança anunciou, vejam só, que a pacata Miguel Pereira ganharia um novo grupamento da PM com 10 homens e duas viaturas. “E Barra Mansa? Nada, nadica de nada”, ironiza a fonte.

NOTA DA REDAÇÃO – A secretaria de Segurança Pública do governo do Estado foi procurada pelo aQui para falar a respeito das demandas apresentadas pelo prefeito de Barra Mansa e ainda para que explicasse os critérios que utiliza para definir quais municípios têm direito ou não a manter equipes do projeto Segurança Pública. Até o fechamento desta edição, ninguém se pronunciou, o que é lamentável.

Governo lança a 17a edição do Dossiê Mulher
Enquanto não diz se o projeto Segurança Presente está sendo usado politicamente ou não, o governo do Estado vai se promovendo e, na quarta, 8, lançou os dados da 17a edição do Dossiê Mulher, onde constam informações inéditas sobre as principais formas de violência sofridas pelas mulheres no estado do Rio. O relatório analisou crimes como feminicídio e violência sexual, além do levantamento inédito dos crimes de stalking (ato de perseguir alguém incessantemente, independente do meio utilizado) e de violência psicológica.
Só no ano de 2021, conforme dados do dossiê, 604 mulheres foram vítimas de perseguição, sendo que 90% dos casos foram praticados por companheiros ou ex- companheiros das vítimas e cerca de 60% das ocorrências aconteceram dentro de casa.
“No nosso governo, a proteção integral à mulher é prioridade. Por isso, criamos a secretaria da Mulher, que atua de forma transversal, coordenando as políticas públicas voltadas para a mulher. O objetivo é fazer um trabalho envolvendo todas as áreas, como Saúde, Assistência Social e Segurança Pública, com programas que beneficiem o público feminino do nosso estado”, garantiu o governador Cláudio Castro.
O Dossiê também destaca que a cada cinco minutos uma mulher foi vítima de algum tipo de violência no Estado. Além disso, mais de 18 mil registros de ocorrência relataram mais de uma forma de violência sofrida pela vítima, sendo ela ocasional, constante e até simultânea. “Com os dados e números do dossiê apresentados, temos a base para traçar os caminhos, sempre atentos ao que está acontecendo em todos os cenários. Vamos dar voz, lutar, enfrentar e nos posicionar contra qualquer tipo de ameaça à mulher, porque todas merecem respeito e liberdade. O desafio é grande, mas seremos assertivos nesta pauta”, garantiu Thiago Pampolha.
A diretora-presidente do ISP, Marcela Ortiz, destacou a importância de o stalking e a violência psicológica terem passado a ser considerados crimes a partir de 2021. “Os dados apresentados no revelam a violência sofrida por milhares de mulheres no Estado que puderam denunciar os seus agressores. Mas não podemos nos esquecer de tantas outras que sofrem em silêncio. Por isso, a importância da criação de políticas públicas no combate à violência contra a mulher, que tem sido prioridade neste governo. Estamos sempre buscando mudar a realidade dessas mulheres que tanto precisam de nós”, ressaltou Marcela Ortiz.

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