Fora das ruas

Carnaval 2016 - Naldo Benny 07.02.16 (1)

O último final de semana pré-carnavalesco na cidade do aço foi marcado pelo ‘desfile’ de oito blocos que, literalmente, tomaram as ruas de diversos bairros de Volta Redonda. A maioria, é bom que se diga, não provocou reações contrárias de quem gota mesmo é de sossego. Mas um, em especial, gerou muito oba-oba. Foi o do Bloco do Lençol, que ocupou a Avenida Oscar de Almeida Gama, no Aterrado. Até tiro na bunda teve. Foi por essas e outras que o prefeito Samuca Silva está prestes a tomar uma medida drástica para o Carnaval de 2018: só liberar o desfile de blocos na Ilha São João.

Na Ilha São João

Os quiproquós durante os blocos, é claro, deixaram Samuca com uma tremenda dor de cabeça. E isso ficou claro na entrevista que ele concedeu ao programa Fato Popular, da Rádio 88, onde anunciou que poderá punir os blocos que renderem badernas e reclamações. “Além de punir, queremos dialogar com os blocos. Faço um apelo para que possamos colocar os blocos na Ilha São João ou outro lugar. Quero negociar com os blocos a troca de locais de desfile. A sociedade está certa em reclamar. Vamos tentar conversar para a gente alterar os locais”, destacou. O detalhe é que a maioria dos blocos já desfilou durante o pré-carnaval.

 

Na entrevista dada a Betinho Albertassi, o prefeito também destacou que os blocos que geraram tanta chiadeira não eram organizados pelo Poder Público. “Existe um decreto estadual que possibilita os blocos a desfilarem mesmo sem licença da prefeitura. Então o que estamos querendo é colocar uma estrutura mínima, com apoio da Polícia Militar e Guarda Municipal”, pontuou. “Eu apoio toda manifestação cultural de blocos, não de baderna”, completou, ressaltando que os blocos que aconteceram no Aterrado é que geraram os principais problemas.

 

Ele pode estar certo. Mas nem tanto. É que o Bloco do Lençol, por exemplo, atraiu milhares de jovens. O bloco tinha até autorização da prefeitura para se concentrar no local, batizado de avenida, mas que não passa de uma rua, estreita e familiar. E que nos últimos anos vira um inferno. Apesar de ter colocado banheiros químicos ao longo da avenida, como era de se esperar, o número foi inferior ao necessário.

 

Por isso, na manhã de segunda, 20, quem passava pela avenida precisava tapar o nariz. O cheiro de urina era muito forte, já que os foliões utilizaram as paredes de residências como um mictório a céu aberto. Pior. Um rapaz garante ter sido baleado durante a reunião do Bloco do Lençol. Trata-se de Glauber Luiz da Silva, 21, que foi atingido com dois tiros nas nádegas. Ele disse a policiais militares que ouviu apenas o barulho dos tiros e, em seguida, observou que estava sangrando. O barulho da bateria do bloco teria abafado o som dos tiros, fazendo com que muitos foliões não escutassem os disparos. Ninguém foi preso.

 

O caso chamou atenção dos vereadores, que reclamaram, e muito, da falta de organização dos blocos. E cobraram medidas de Samuca contra a baderna. O tema foi levantado por Fernando Martins (PMDB), que é evangélico. “Vi cenas lamentáveis durante a noite de domingo, no Aterrado. A cidade tem que ter carnaval, mas não sei qual foi a logística para a secretaria de Cultura liberar esse bloco. O Poder Público tem que garantir que tudo ocorra sem problemas”, disse Fernando, destacando que chegou a ver um motorista tentando atropelar um motoqueiro na dispersão do bloco.  

 

Outros vereadores abordaram o tema e todos juraram que entendem a importância da Folia de Momo, mas exigem segurança. “É uma tragédia anunciada e a tendência é piorar. É preciso achar um meio termo, um bom senso, para que a ordem pública seja mantida. A palavra é bom senso”, disparou Washington Granato. “Também quero externar minha preocupação. Os efetivos da Guarda Municipal e da Polícia Militar não são suficientes. Os PMs, por exemplo, estão precisando tirar dinheiro do próprio bolso para arrumar viaturas”, comentou Luciano Mineirinho (PR).

 

Já Edson Quinto (PR) sugeriu que a Câmara de Volta Redonda, através da Comissão Permanente de Segurança, discuta com o prefeito Samuca e com os órgãos competentes a realização dos blocos de carnaval. “A Câmara deve ajudar a resolver, pois o governo só tem 50 dias. Precisamos abraçar o governo”, destacou.

 

Confira a programação de Carnaval de VR e BM

‘Bloco dos Que Ficam’

Com a crise econômica atingindo 11 em cada 10 brasileiros, muitos fluminenses não vão viajar para curtir a Festa de Momo, por conta da falta de dinheiro. Por isso, para os que estão doidos para pular o Carnaval é bom que saibam que em Volta Redonda, por exemplo, só restam quatro blocos para sair como destaque. E, assim mesmo, um deles só vai sair no próximo domingo, 5.

Em Barra Mansa, a folia também será animada por blocos de rua. Detalhe: toda a festa será sem custo para os cofres públicos. “Vale ressaltar que não houve investimento por parte da prefeitura para o carnaval deste ano. Mesmo assim, com parcerias, vamos oferecer um carnaval bem bacana para a população”, destacou o prefeito Rodrigo Drable.

 

Confira a programação de carnaval para as duas cidades.

VOLTA REDONDA

 

Amanhã, domingo, 26

Bloco Pé de Galinha

Local de saída/concentração: 

Av. Cinco,  Vila Rica

Horário: de 12 às 22 horas

 

Terça de Carnaval, 28

Nóis Trupica, Mas Não Cai,

Local de saída/concentração: Morro da Conquista (Santo Agostinho)

Horário: de 15 às 22 horas

 

Emoxonados

Local de saída/concentração:

Rua 653, Siderópolis

Horário: de 16 às 20 horas

 

Domingo pós-carnaval, 5

Bloco Galo Vermelho

Local: Av. 17 de Julho, Aterrado

Horário: de 15 às 22 horas

 

BARRA MANSA

 

Hoje, sábado, 25 a terça, 28

Bloco do Boi

 

Domingo, 26, e segunda, 27

Bloco Se Vira nos 30

 

Domingo, 26, e terça, 28:

Bloco Renascer

 

O ‘Bloco do Boi’ sairá às ruas todos os dias do Carnaval, das 16 às 21 horas, com concentração no bairro Roberto Silveira, seguindo até o Centro da cidade. O bloco carnavalesco ‘Renascer’ sairá das 17 às 22 horas, na Rua José Hipólito, na Cotiara, seguindo até a Avenida Joaquim Leite. Já o bloco ‘Se Vira nos 30’ se concentrará das 16 às 22 horas na Rua José Alves do Nascimento, no Siderlândia.

 

Pós-carnaval

Sábado, 4 de março: Bloco ‘Não Era Eu’ – das 16 às 22 horas, com concentração no Corredor Cultural, seguindo até o Ilha Clube, no Ano Bom.

 

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