Fora da linha

Desde que foi empossado como prefeito de Volta Redonda, Samuca Silva passou a andar, quase sempre, com seguranças. Armados, é bom que se frise. Precaução em excesso? Pode ser, mas ele diz que não. Garante que sua postura vem lhe criando desafetos ao longo dos meses. “Nosso governo é de quebra de paradigmas”, dispara, citando como causas, entre outras, a realização de auditorias nos contratos do Palácio 17 de Julho, o recadastramento dos servidores públicos e, por último, a licitação das 31 linhas da Sul Fluminense.
Os inimigos, segundo ele, aumentaram quando, segundo Samuca, ele decidiu mexer num setor crítico da cidade, o de transporte de passageiros. Não é para menos. Por decreto, a prefeitura cassou a concessão que a Viação Sul Fluminense detinha para explorar as 31 linhas municipais, anunciando que iria abrir uma concorrência pública para contratar uma nova empresa. A licitação deveria ter ocorrido na última terça, 17. Mas, como o caso foi parar na Justiça, o processo licitatório está suspenso por determinação do juiz da 4ª Vara Cível de Volta Redonda.
Uma das razões para o magistrado suspender a licitação das linhas – de que a prefeitura não discutiu o processo com a população de Volta Redonda – deverá ser resolvido daqui a exatos 16 dias. É que o Palácio 17 de Julho mandou publicar um edital de chamamento público no jornal O Dia – edição de quinta, 19, – convocando a audiência pública para o dia 7 de outubro. Detalhe: ela será realizada na sede do Clube Náutico, no bairro Nossa Senhora das Graças.
“Na audiência, todos os interessados terão acesso e direito a todas as informações da citada contratação, bem como poderão se manifestar com vistas ao aprimoramento do ato convocatório que norteará a futura licitação”, revela o edital, que é assinado por Eli Alves da Silva, presidente da CPL.
Veja ao lado a entrevista exclusiva de Samuca a respeito das ameaças – inclusive de morte – que já sofreu desde a sua posse e que vem sofrendo nos últimos dias.

aQui: Quais são os casos mais polêmicos criados desde a sua posse e que poderiam estar lhe criando inimigos pessoais?
Samuca: Nosso governo é de quebra de paradigmas. E, pensando exclusivamente na melhora da vida da população e na gestão eficiente, tivemos medidas que incomodaram alguns. As auditorias nos contratos da prefeitura e o recadastra-mento dos servidores são exemplos. Desburocratizamos a abertura dos postos de combustíveis, que antes ficava a cargo do prefeito, para termos mais postos e o valor do combustível diminuir.
Essa luta incansável por um transporte público melhor, visando à licitação das linhas da Sul Fluminense.
Estamos realizando licitação para a grande maioria das compras e obras da cidade, acabando com a prática de dispensa de licitação que poderia beneficiar alguns. Entre outras tantas medidas.

aQui: Desde quando passou a andar com seguranças? Eles andam armados e atuam todos os dias ou só em casos excepcionais? Quando viaja ao Rio, eles o acompanham?
Samuca: Desde que comecei a receber informações sobre ameaças. Mas os detalhes não posso passar por medida de segurança.

aQui: As ameaças o assustam? Mantém a rotina diária ou a cada dia faz um trajeto diferente para a prefeitura?
Samuca: As ameaças não vão me intimidar. Elas demonstram que estamos do lado certo da mesa: do lado do povo de Volta Redonda. Mas tomo as medidas necessárias. Meu carro particular, por exemplo, é blindado. Preciso me cuidar. Assim como cuidar da minha esposa, mãe e restante da família.

aQui: As ameaças foram feitas pelo Face? WhatsApp? Instagram? Ou por telefone? Caso sejam pelas redes sociais, a identificação do (ou dos) internauta já foi feita?
Samuca: Já recebi até por carta, por terceiros, e fisicamente, entre outros. Nesse último caso foi pelo Facebook e tem até áudio da pessoa, que já foi identificada. Em outros casos, há perfis fakes e até números de celular utilizados só para ameaças.

aQui: Essas recentes ameaças são mesmo ligadas à licitação dos ônibus? Por quê?
Samuca: Nesse último caso, sim. A pessoa se colocou como funcionário da empresa. Por isso, a Polícia Civil vai investigar.

aQui: Quantas ameaças já foram feitas? Alguma detalhada? Alguma dá pista de que quem as faz conhece a sua rotina?
Samuca: Diretamente, foram mais de três e, por carros e pessoalmente, duas ocorrências. Já recebi até carta. Algumas ameaças chegam através de terceiros, entre outras formas. Há casos que percebemos que pessoas conhecem minha rotina. Mas não posso dar detalhes.

aQui: Não seriam apenas bravatas?
Samuca: Isso cabe à Polícia Civil investigar. Não posso me basear nisso, tive que levar o caso aos órgãos competentes para investigarem.

aQui: Há quem diga que tudo não passa de uma jogada de marketing. O que pensa a respeito?
Samuca: Que cada um tem o direito de pensar o que quiser. Mas não acho que o delegado abriria investigação se fosse apenas marketing.

aQui: Por que procurar a 93ª DP e não a Delegacia Especializada em crimes virtuais?
Samuca: Porque nesse caso a ameaça foi direta à minha vida, ameaça de morte. Eu já fui à Delegacia Especializada em Crimes Virtuais para realizar uma denúncia sobre injúrias, calúnias e perfis fakes que disseminam isso.

aQui: Recentemente, o senhor deixou claro que iria processar todos os internautas que o criticam nas redes sociais, pelos crimes de injúria, calúnia e difamação. Quantos casos já foram abertos? Quantos ganhou ou perdeu?
Samuca: Fui ao Decrim fazer, pessoalmente, essas denúncias. É inerente ao cargo público sofrer críticas e encaro com naturalidade. Mas não posso admitir ataques à honra, mentiras e ameaças. Ainda não abrimos processos, mas estamos levantando a materialidade. E estamos acompanhando as investigações do Decrim.

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