“Foi no carnaval que passou…”

Bloco 5

Quem tem samba no pé deve se lembrar, com nostalgia, dos antigos carnavais. Sejam nos clubes ou em blocos de rua, as festas de Momo eram embaladas por marchinhas, com direito a muito confete, serpentina e fantasias. Tinha até lança perfume, lembram? Pois bem, em Volta Redonda também era assim: blocos como os ‘Boêmios da Vila’ e ‘Cervejinha’ eram pura alegria; e os clubes sociais ficavam lotados durante os quatro dias de carnaval, sem contar as matinês. Tinha até transmissão ao vivo via rádio. O ‘x’ da questão é que a época de ouro dos carnavais chegou ao fim – pelo menos na cidade do aço.

 

Prova disso é que a maioria dos blocos que ‘desfila’ pelas ruas de Volta Redonda pouco ou nada tem da antiga festa. Até os blocos clandestinos, como o ‘Isoporzinho’, não lembram nem de longe a Festa de Momo. As marchinhas, por exemplo, perderam espaço para o funk. No ‘LGBT Folia’ de domingo, 12, no Aterrado, o carnaval foi embalado pela cantora Lexa e pelo DJ Gina Indelicada – de música eletrônica. Já no ‘Tô no Brilho’, que aconteceu na Avenida Amaral Peixoto, a principal atração foi a DJ Irmã Zuleide, também de música eletrônica. Quem foi ‘curtir’ os dois blocos não ouviu nenhuma marchinha. Também não ouviu o batuque de nenhuma bateria de escola de samba. Fantasias? Rei Momo? Isso não tinha, não. Seria sacrilégio, né?

 

O detalhe é que milhares de voltarredondenses ainda gostam do verdadeiro carnaval brasileiro. Tanto que durante a folia viajam para cidades onde a festa rola como nos anos dourados. Muitos procuram as pequenas cidades de Minas Gerais. Outros se arriscam procurando abrigo na cidade maravilhosa, onde muitos blocos ainda saem às ruas como antigamente. Nos blocos cariocas, os foliões são embalados por músicas antigas, marchinhas, sambas.  E quase todos fazem questão de sair de casa fantasiados. Prova é que a CDL do Rio espera um boom no comércio local por conta da venda de produtos de carnaval. “O lojista está animado e o que tem colaborado bastante para o aumento das vendas de produtos para o carnaval são os blocos de rua, que não exigem fantasias padronizadas”, diz Aldo Gonçalves, presidente da entidade.

 

Um dos voltarredondenses que viaja para o Rio no carnaval, e ainda se fantasia, é o técnico em logística Lucas Pereira, 26. Há cinco anos ele só curte a festa carioca e faz questão de sair com os blocos da cidade do aço. “Minha irmã mora no Rio de Janeiro, então fica fácil ir pra lá no carnaval. Vou porque gosto do clima, das festas e dos blocos. Não costumo sair em blocos grandes, como a Banda de Ipanema. Prefiro blocos menores, com 10 mil pessoas no máximo. Esses são bons de curtir, não tem confusão. É só samba, marchinha ou músicas estilo Monobloco. Eu gosto. Faz cinco anos que vou direto e ainda não tive vontade de ir para outra cidade, como Salvador”, afirma Lucas.    

 

Apesar de gostar tanto de carnaval, Lucas garante não se sentir animado para sair nos blocos de Volta Redonda. “Eles não têm características de carnaval. Há alguns anos, surgiu um que saía na Rua 33, que era bom, tinha bateria, trio elétrico, pessoal de fantasia. No segundo ano, já não foi a mesma coisa, (…) muitos carros com som alto, funk, isso desanima. Sem falar nas brigas e confusões”, destacou. “E os blocos que são mais tradicionais, acho que falta publicidade, porque ficam vazios”, completou.

 

O universitário Yuri Chaves, 25, também não costuma desfilar com os blocos que saem pelas ruas de Volta Redonda. “Alguma coisa sempre vai dar errado”, dispara, referindo-se às ‘tradicionais’ confusões e brigas. “É preciso uma campanha, sei lá, para que as pessoas que gostam de carnaval possam ir. Tem muita gente de Volta Redonda que gosta de carnaval e essas pessoas poderiam curtir o pré-carnaval aqui na cidade. A Guarda Municipal, por exemplo, se alguém chegar no bloco com som alto, tocando funk, essas coisas, os guardas poderiam rebocar, multar, fazer alguma coisa. Tenho amigos que foram para o Rio atrás de blocos pré-carnavalescos porque aqui não tem essa tradição”, comparou.

 

Sem funk

Hoje, sábado, 18, cerca de 800 pessoas vão sair pelas ruas da São Geraldo e Colina atrás do ‘Piranhas da São Gera’. O bloco é um dos mais tradicionais da cidade e resiste a tudo e a todos, tanto que desfila há 12 anos e só toca samba e marchinha. “Desde a concentração até o pós-bloco, não tocamos músicas que não sejam de carnaval, como funk e sertanejo. A ideia do bloco sempre foi ser tradicional, tocando principalmente os sambas clássicos. Nós desfilamos com uma bateria e um carro de som. Nosso bloco também tem a característica de que muitos vão fantasiados”, afirmou João Santos, ex-presidente da Associação de Moradores da São Geraldo, fundador do bloco.

 

Tem mais. O ‘Piranhas da São Gera’ faz parte do calendário oficial da prefeitura e, por isso, desfila com apoio da Guarda Municipal, que ajuda a controlar o trânsito. “Isso ajuda a evitar acidentes. A gente sai da São Geraldo, passa pela Praça da Colina e volta para a São Geraldo. Nunca temos problema. Pelas ruas, as pessoas saem de casa para ver a gente passando, tiram fotos. Como muitos homens vão fantasiados de mulheres, o bloco é engraçado”, afirmou João, ressaltando que acredita que não existam muitos blocos como o seu por conta da falta de tradição.

 

Sem álcool

Mesmo sem curtir os blocos tradicionais, centenas de jovens voltarredondenses estão saindo em blocos clandestinos, como o ‘Isoporzinho’. Pior. Muitos estão enchendo a cara com bebidas alcoólicas. Por isso a coordenadoria de Prevenção às Drogas de Volta Redonda ampliou sua mobilização no período carnavalesco. A campanha, denominada ‘Curta a Adolescência Sem Beber’, tem o objetivo de coibir a venda, entrega ou distribuição de bebidas alcoólicas para menores de 18 anos. O trabalho, que é realizado por meio de palestras, será realizado em 33 Centros de Referência e Assistência Social. “O prefeito Samuca Silva nos pediu e estamos cumprindo o nosso papel como órgão público, lembrando a todos que vender, entregar ou distribuir bebida alcoólica a menor é crime previsto na Lei 13.106, e será preso quem descumprir a Lei”, frisou a coordenadora do órgão, Myriane Leal Nogueira.

 

A coordenadora participou de uma reunião com os representantes de 21 blocos carnavalescos no auditório do Palácio 17 de Julho e pediu a contribuição de todos para evitar que menores sejam incentivados ao consumo de bebidas alcoólicas. “Eu quero muito esta parceria com vocês, que são formadores de opinião, para não permitir o consumo de bebida alcoólica pelos menores. Isto não é mais uma contravenção, agora a punição é prevista em Lei, é considerado crime fornecer bebida a menor de idade”, afirmou. “Temos que mudar essa cultura porque álcool não é diversão. A bebida traz consequências graves para a saúde de um menor de idade, pois o cérebro está em formação até os 21 anos. Eu conto com a parceria e a responsabilidade de cada um em nos ajudar nesta campanha”, acrescentou Myriane.

Confira os blocos que vão desfilar o pré-carnaval de Volta Redonda:

 

Hoje, sábado, 18

Alegria Alegria

Local: Rua A, Parque das Ilhas

Horário: das 15 às 20 horas

 

Os Caretas

Local: Praça dos Ex-Combatentes, na Sessenta

Horário: a partir das 19 horas

 

Camisolas

Local: Rua Darwin, Limoeiro

Horário: das 12 às 20 horas 

 

Loucos Pela Arte

Local: Rua Cuba (Saae) – Vila Americana

Horário: das 16 às 22 horas

 

Piranhas de São Gera

Local: Rua Tenente Antônio João, no São

Geraldo

Horário: das 18 às 22 horas

 

Amanhã, domingo, 19

De Volta na Redonda

Local: Praça da ETPC, na Vila

Horário: das 9 às 13 horas

 

Bloco do Lençol

Local: Av. Oscar de Almeida Gama, Aterrado

Horário: das 13 às 22 horas

 

Em Cima da Hora

Local: Rua dos Açores, Bom Jesus

Horário: das 13 às 18 horas

 

Quinta, 23

Bloco do Créu

Local: Praça Jurandir Nascimento, St Rita do Zarur

Horário: das 18 às 22 horas

 

Sexta de Carnaval, 24

Bloco da Vida

Local: Praça Brasil, Vila

Horário: das 18 às 22 horas

Deixe uma resposta