Fla x Flu legislativo

A Casa estava cheia e dividida como se fosse a arquibancada do Maracanã para a disputa de um clássico como Flamengo x Fluminense. “É a turma do Neto contra os CCs (cargos comis-sionados) de Samu-ca”, teorizou um dos presentes, resumindo o que iria acontecer na sessão da Câmara na noite de terça, 18, quando plateia e protagonistas do jogo pretendiam pedir, sonho de poucos, e rejeitar, desejo da maioria, o impeachment do prefeito Samuca Silva.
Quando o vereador Washington Granato, da oposição, leu o processo administrativo número 142, que pede a cassação de Samuca por não acatar as emendas impositivas apresentadas ao Orçamento do município (o que ele nega), apresentado pelo vereador Carlinhos Santana ainda no ano passado, os dois lados se manifestaram como se um gol tivesse sido feito. Árbitro da peleja, Neném, como presidente da Casa, exigia silêncio dos torcedores, pois a legalidade do gol seria analisada pelo VAR (árbitro assistente de vídeo), como o que é usado no futebol. O ‘piti’ (apito) de Neném quase queimou de tanto que foi soprado pelo presidente do Poder Legislativo, amigo pessoal do ex-prefeito Neto, a quem o resultado da partida interessava diretamente.

Os torcedores quase foram à loucura – apesar do ‘piti’ de Neném – quando este anunciou que a abertura do processo de impeach-ment contra Samuca não poderia ser votado porque a Mesa Diretora não teria conseguido localizar o suplente do vereador Carlinhos Santana, o empresário Marcelo Moreira, para assinar o pedido de abertura do processo.
Legalmente, Carli-nhos Santana, como autor do pedido, não poderia votar, e a Câmara teria que convocar o seu suplente imediato, Marcelo Morei-ra. Segundo Neném, desde segunda, 17, Marcelo estava sendo procurado, o que ele negou ao ser achinca-lhado até por vereadores de oposição, como Paulinho do Raio-X. “Até parece que esse suplente (Marcelo) faz parte de alguma secretaria (do governo Samuca), para estar se escondendo assim”, disse para quem quisesse ouvir.
Pura bravata, desmascarada pelo próprio Marcelo Moreira, que foi às redes sociais e desancou meio mundo afirmando que não foi procurado por ninguém da Câmara para participar da polêmica sessão na noite de terça, 18. “Não recebi nenhuma notificação da Câmara de Vereadores para participar da referida sessão; não recebi nenhum telefonema da Câmara, ou de qualquer vereador, da situação ou da oposição, me comunicando da necessidade da minha presença na sessão”, escreveu, indo além. “Desafio qualquer um dos 21 vereadores a provar o contrário”, emendou. Até hoje, cinco dias depois da postagem, Marcelo não foi desmentido. Ele, inclusive, como mostra a foto, fez questão de ir à Câmara para ser citado.
Nova data
Ainda jogando na sessão de terça, 18, Neném, depois de tentar jogar a culpa no suplente de Carlinhos Santana, decidiu marcar a sessão de votação do processo administrativo 142 para a noite do dia 3 de março. Até lá, os vereadores vão poder curtir o feriadão do Carnaval, afinal, todos merecem brincar à vontade, fantasiados ou não.

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