“Fiquem aqui”

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Mateus Gusmão

“Por isso eu digo para as pessoas que querem viajar para áreas de risco: não viajem, se protejam, fiquem em Volta Redonda. Infelizmente não há vacina para todo mundo”. Foi assim, com essas palavras pra lá de sinceras, que o prefeito Samuca Silva (PV) comentou as confusões que têm acontecido por conta da vacinação contra a Febre Amarela em Volta Redonda. Na cidade do aço, são disponibilizadas apenas 300 vacinas por semana – 150 na terça e 150 na quinta. Quantidade que não atende à população, tanto que centenas de voltarredondenses estavam enfrentando, ainda de madrugada,  filas na porta da Unidade Básica de Saúde do Jardim Paraíba.

 

Em entrevista ao programa Dário de Paula, Samuca falou sobre o tema. Reconheceu que às 22 horas de quarta, 1º, várias pessoas esperavam, na fila, para serem vacinas na manhã do dia seguinte, quinta 2 (ver foto). E o prefeito pediu para que ninguém entre em pânico. “Nós não estamos no foco da Febre Amarela”, comentou, ressaltando que o Ministério da Saúde, para enviar mais vacinas para as áreas necessitadas, como as cidades de Minas Gerais, estaria pensando em diminuir as dosagens para as ‘ASRV  – Área Sem Recomendação de Vacina’, como é o caso de Volta Redonda. “Eu oriento a população para que procure a imunização apenas se for viajar para as áreas de risco. Segundo informações do Ministério da Saúde, não é preciso se vacinar nesse momento, pois não estamos no foco da Febre Amarela. Isso acaba atrapalhando quem vai viajar”, acrescentou.

 

Samuca ressaltou ainda que a cidade do aço recebe apenas 300 vacinas por semana. “Eu não produzo vacina”, disparou. “Eu oriento a população que, se for viajar no carnaval, reveja a viagem porque não há estoque de vacina para Febre Amarela que possa atender todo mundo. Isso é fato. Eu não produzo vacina, eu recebo a vacina do Ministério da Saúde”, pontuou.

 

Mas tem voltarredondense que não quer seguir os conselhos de Samuca. E tentará, até aos 45 do segundo tempo, ser vacinado. É o caso de Gabriele Rodrigues, que quer viajar para Andrelândia (MG) no Carnaval. Na quinta, 2, ela tentou ser vacinada. Não conseguiu. “Cheguei por volta das 5h20min e não consegui. Estava muito cheio. Tinha gente com colchões, até crianças”, disse, sublinhando que só não irá viajar no Carnaval se não conseguir a vacina. E ela vai tentar. “Vou seguir a orientação de uma funcionária do Posto de Saúde de chegar às 22 horas do dia anterior, mesmo que tenha que dormir na calçada”, completou.

 

Na verdade, agora, Gabriele não precisará chegar a esse extremo. Isso porque a secretaria de Saúde, depois de muita reclamação, resolveu mudar o horário da vacinação para o período da tarde, começando às 17 horas. “A medida visa evitar que a população forme fila durante a madrugada em frente à unidade. Durante o dia, os usuários que procurarem a vacina poderão ser orientados por profissionais de saúde”, acredita Flávia Ensenat, superintendente em Atenção e Vigilância à Saúde.

 

Tem mais. Segundo a assessoria de imprensa da prefeitura, a vacinação contra a Febre Amarela será realizada agora somente em pessoas que vão viajar para áreas endêmicas, principalmente as de Minas Gerais ou viagens internacionais. “A orientação é fazer um acolhimento na fila, pois, conforme determinação do Ministério da Saúde, somente os usuários com viagem programada para áreas endêmicas deverão tomar a vacina com, no mínimo, dez dias de antecedência”, completou Flávia, afirmando que não há recomendação e nem estoque de vacina para que toda a população de Volta Redonda seja vacinada. Como será feito esse acolhimento, entretanto, não foi explicado.

 

Sem risco

Em entrevista ao aQui, a secretária de Saúde de Volta Redonda, Márcia Cury, garante que a cidade do aço não está em estado de alerta por conta da Febre Amarela. “A preocupação de Volta Redonda é manter o estoque de vacina para imunização das pessoas que irão viajar para áreas endêmicas”, comentou, ressaltando que a pasta orientou os profissionais de saúde da Atenção Básica e Hospitais a seguir as notas técnicas e orientações sobre a doença.

 

Questionada sobre o fato de Volta Redonda ter risco médio de infestação do Aedes aegypti, e se a chance de uma proliferação da Febre Amarela não é maior, Márcia Cury garante que não. “A secretaria de Saúde, por meio da Vigilância Ambiental, desenvolve ações necessárias para o controle do vetor. Porém, é importante ressaltar que, quanto à transmissão da doença, o vetor é o principal reservatório, sendo o Aedes o vetor da forma urbana e o Haemagogus o principal vetor da forma silvestre. O Brasil não registra nenhum caso da forma urbana desde 1942”, destacou.

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