sexta-feira, fevereiro 23, 2024
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Esqueceram de mim

Nenhuma proposta para o Sul Fluminense foi apresentada em debate entre os candidatos a governador

O Sul Fluminense é o berço da industrialização do Rio de Janeiro. Não por menos. Afinal, a região contempla a CSN, a maior usina siderúrgica da América Latina, além de dezenas de empresas da cadeia automotiva, sem contar outras indústrias importantes que existem em Volta Redonda e cidades vizinhas. Mas nem isso e muito menos os mais de um milhão de eleitores do sul do estado foram capazes de despertar a atenção dos candidatos a governador. É que no primeiro debate entre os postulantes ao Palácio Guanabara, nenhuma proposta foi apresentada para o interior. ‘É como se não existíssemos’, diriam os incrédulos.
Participaram do debate da Band, realizado na noite de domingo, 7, o governador Cláudio Castro (PL), o deputado federal Marcelo Freixo (PSB), o ex-prefeito de Niterói, Rodrigo Neves (PDT), e o deputado federal Paulo Ganime (Novo). O evento durou pouco mais de duas horas e não contou com a participação de Wilson Witzel, candidato do PMN, e Luiz Eugênio Honorato, natural de Volta Redonda, candidato do Partido da Causa Operária (PCO).
Se o Sul Fluminense não foi lembrado, a Baixada Fluminense foi privilegiada com a apresentação de várias propostas. Serviu até para ataques entre eles. Prova é que Cláudio Castro, quando teve oportunidade de fazer uma pergunta a Marcelo Freixo, perguntou quanto de emenda parlamentar o deputado teria destinado à região com 2,8 milhões de eleitores. Freixo gaguejou e não conseguiu responder. “Ele fugiu do assunto porque para ele a Baixada não é importante. Talvez ele não saiba nem onde fica”, disparou Castro, dizendo que iria postar em suas redes as informações sobre as emendas de Freixo.
O deputado federal do PSB também foi, digamos, para cima de Castro. E aproveitou o escândalo da Fundação Ceperj para atacar o atual governador. “O senhor conversa com fantasmas?”, perguntou de forma irônica, referindo-se aos salários secretos que teriam sido pagos a milhares de pessoas envolvidas em projetos como ‘Esporte Presente’ e ‘Casa do Trabalhador’, inclusive em Volta Redonda e região. “Não há funcionários fantasmas, já que as pessoas precisam ir ao banco receber salários e dar o CPF”, retrucou Castro, esquecendo-se do principal: que funcionário fantasma recebe salário, mas não trabalha.
Cláudio Castro, que só lembrou da região Sul Fluminense depois da venda da Cedae e às vésperas das eleições, também foi alvo dos outros candidatos. Rodrigo Neves, ex-prefeito de Niterói, lembrou da Covid-19. “Infelizmente o Rio teve a maior letalidade entre os estados, são mais de 80 mil mortes. E o que a gente viu foi má gestão e desvio de dinheiro público por parte do governo Wilson Witzel e Cláudio Castro”, disse Neves, tentando colar a imagem de Castro a Witzel, de quem era vice-governador.
Essa também foi a estratégia usada por Paulo Ganime ao falar sobre os escândalos de corrupção que levaram ao impeachment de Witzel. “Esse foi o maior escândalo recente na política do Rio de Janeiro. Era no governo Wilson Witzel, mas também era o governo do Cláudio. Ou o atual governador não sabia o que se passava no governo durante o período em que ele era o vice-governador?”, indagou. Ficou sem resposta.
‘Juntos pelo Rio’
Na segunda 8, Marcelo Freixo (PSB) lançou seu plano de governo e confirmou que vai promover uma agenda com Lula na Baixada Fluminense. “Lula e eu estamos organizando um comício na Baixada, porque ele sabe o quanto o governo do Estado precisa cuidar das famílias que vivem na região. A Baixada é prioridade para mim e para o Lula também”, disse, aproveitando para voltar a criticar Cláudio Castro em relação à falta de atuação do governo numa das regiões mais populosas do Estado. “Quando eu falo que uma pessoa passar 4 horas por dia num trem é questão também de saúde é porque eu converso com as pessoas que usam os trens. O governador reclama da Supervia como se ele fosse usuário. Isso é uma loucura. Ele é o responsável pelo caos. Ele tem é que resolver o problema, não reclamar” acrescentou Freixo.
O programa de governo recebeu o nome de ‘Juntos Pelo Rio de Janeiro’ e é colaborativo. A ideia de Marcelo Freixo e do candidato a vice-governador César Maia (PSDB) é acrescentar sugestões ao programa, que já se encontra disponível em http://www.juntospelorj.com.br. “A gente quer fazer um programa participativo, onde o cidadão também possa contribuir. Isso se chama democracia. Todas as boas ideias serão avaliadas por equipe de primeira, porque o Rio de Janeiro não suporta mais quatro anos deste governo que promove a fome e o desemprego”.

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