segunda-feira, junho 17, 2024
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Escola de samba da região sonha em desfilar na Sapucaí

Ronie (a esquerda) e James, fundadores da escola, com uma passista

O Sul Fluminense tem agora uma escola de samba para chamar de sua: trata-se da Império do Vale, criada para representar as cidades da região no carnaval do Rio de Janeiro. A estreia será em 2024, quando participará de um desfile no grupo de avaliação. O objetivo é que, em cinco anos, a escola possa estar brilhando na Marquês de Sapucaí, a passarela do samba. Tem mais. A expectativa é de que pelo menos 400 pessoas de Volta Redonda, Barra Mansa e cidades vizinhas possam desfilar já ano que vem.
O volta-redondense Ronie Oliveira, que também é compositor de samba-enredo, é um dos fundadores da Império do Vale, junto com James Bernardes, que é de Vassouras e já foi diretor de carnaval em escolas do grande Rio. “Infelizmente aqui na região, a cultura do carnaval foi se perdendo durante os anos. Hoje só Três Rios tem desfile. As cidades daqui tinham blocos e escolas de samba, e agora não têm mais. Quem quer desfilar, por exemplo, tem que ir para o Rio. Em uma conversa que tivemos surgiu a ideia de tentarmos resgatar essa cultura na região e criar uma escola para desfilar no Rio, o que nunca teve”, pontuou.
Uma das inspirações para a criação da Império do Vale foi a Unidos de Maricá, que em apenas quatro anos já está desfilando no grupo de acesso, a Série Ouro, na Sapucaí. “Com amor ao samba, sabendo dos desafios, queremos colocar essa cultura. Agora as pessoas têm uma escola para chamar de sua”, disse Ronie, ressaltando que a ideia de fazer uma escola regional é para conseguir agregar mais pessoas para desfilar e ajudar na escola, como apoios e patrocínios. “Nosso objetivo é em cinco anos desfilar na Sapucaí”, bradou o sambista.
A escolha do nome, segundo Ronie, não foi difícil. O Vale foi escolhido por fazer alusão ao Vale do Café. Já o Império, por conta de ser popular no samba, como grandes escolas como a Império Serrano. “Ano que vem a gente desfila no Grupo de Avaliação, na Nova Intendente Magalhães. Esse grupo não tem subvenção financeira, por exemplo. É uma triagem para saber se a escola tem capacidade de fazer parte da Série Bronze, que seria a Série D do Carnaval”, explicou, lembrando que, além da série Bronze, existe a Prata, Ouro e o Grupo Especial. Apenas as escolas dos grupos Ouro e Especial desfilam na Marquês de Sapucaí.
Para a apresentação de 2024, a escola de samba terá de desfilar com 300 a 400 componentes e ter no mínimo um carro alegórico. O carro será customizado no Rio de
Janeiro, em espaço a ser alugado. “Aqui na região seria mais fácil e confortável a gente montar o carro, mas o problema seria o transporte até a capital”, disse. As fantasias, segundo Ronie, serão feitas em Vassouras. “Nós temos muitas costureiras na região que fazem fantasias para escolas cariocas. Queremos aproveitar essa expertise e até quem sabe conseguir fazer oficinas para formar mais profissionais nessa área”, acrescentou.
Quem quiser participar da escola de samba Império do Vale e até desfilar no carnaval de 2024 pode entrar em contato através das redes sociais pelo @gresimperiodovale. “Precisamos da ajuda de todos. Nós estamos unindo amantes do samba que querem desfilar, vamos realizar eventos para conseguir os recursos necessários para levar o pessoal – serão dez ônibus, temos os custos das fantasias. Enfim, vamos achar caminhos para viabilizar, mas vamos desfilar no ano que vem”, completou Ronie, bem otimista.
O enredo, inclusive, já está definido, será em homenagem a Clementina de Jesus, uma das maiores sambistas do Brasil, que morreu em 1987. Ela nasceu em Valença. “Clementina nasceu em um quilombo da nossa região. Mulher preta, que venceu o preconceito da sua época. Não era normal uma mulher cantar samba, e ela fez sucesso no Rio de Janeiro, na Mangueira, na Portela. Tem vários sucessos no mundo do samba. Então, resolvemos homenagear Clementina de Jesus, pois é importante marcar isso. Ela era uma mulher à frente do seu tempo”, acrescentou, ressaltando que todo ano o homenageado será alguém da região. O samba-enredo que irá embalar a escola na avenida ainda será escolhido.

Disputa na Mangueira
Por falar em samba, Volta Redonda pode estar na Marquês de Sapucaí já em 2024, mas através de um samba-enredo. É que Ronie Oliveira, que também é compositor, está na disputa do samba para a Mangueira, uma das mais tradicionais escolas de samba no
Brasil. “Nós fizemos o samba de número 13, o enredo é ‘Alcione, a negra voz do amanhã’. Hoje, sábado, 16, tem a terceira fase, são oito sambas disputando. Começou com 24, foi para 12 e agora são oito. Agora classificam seis”, disse o sambista, que tem na parceria do samba o volta-redondense Márcio Bola, Bete da Mangueira e outros.
“Estamos confiantes. Nosso samba tem a cara do morro da Mangueira. O refrão diz que o ‘morro vai descer’ e pegou bem na quadra da escola. Temos um perfil popular, alegre. E temos muitas chances. A safra de samba é boa, são bons sambas”, destacou, salientando que toda semana pelo menos dois ônibus estão levando torcedores de Volta Redonda para vibrarem com o samba durante a disputa na escola. “Nossa torcida é a mais animada”, completou. Uma das cantoras do samba na disputa é a jovem Karen Silva, que também é da cidade do aço e disputou o reality show ‘The Voice Kids’, da TV Globo. Ronie disputa na Mangueira desde 2017. Um samba que contou com sua autoria – além de outros compositores – foi escolhido pela escola para o desfile de 2019, com o enredo ‘História para ninar gente grande’. “Esse samba é marcante demais, cantam até hoje na escola, em rodas de samba. E foi o samba vencedor do carnaval, a Mangueira venceu o carnaval com o nosso samba. É um enredo político, forte, com citação a heróis esquecidos do nosso país”, comentou Ronie. Neste ano, Ronie foi um dos autores do samba da Acadêmicos de Niterói, escola do Grupo de Acesso. “Para 2024, nós temos uma parceria de samba que vai estar na avenida com a Unidos de Bangu, também do Grupo de Acesso”, disse. “Eu comecei a fazer samba para o Unidos de Santa Rita, esse bloco desfilava na Ilha São João. Eu fui um dos autores dos sambas de 2004 e 2005”, finalizou o sambista volta-redondense.

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