segunda-feira, junho 17, 2024

Em casa

Consórcio Modular da MAN anuncia suspensão de contratos de trabalho

A semana não foi nada fácil para quem trabalha no Consórcio Modular da Man (ex-Volks) em Resende. Enquanto o Sindicato dos Metalúrgicos se preparava para eleger gente de
sua confiança na Comissão de Trabalhadores, a empresa anunciou a suspensão
dos contratos de trabalho até o final do ano. A justificativa foi uma ociosidade
de 30% na empresa, com o desaquecimento do mercado de caminhões e ônibus.
A ideia da empresa é suspender os contratos de trabalho com a garantia dos direitos trabalhistas previstos no FAT. Com isto, os operários perdem o reajuste salarial pelo INPC,
mas terão mantidos o cartão-alimentação, o pagamento integral da PLR e
do 13° salário, além da garantia que não haverá demissões na fábrica até o final do ano. A votação aconteceu na quinta, 6. A proposta foi aprovada (ver quadro).
Nas negociações com o sindicato, o consórcio modular avisou que a suspensão dos contratos de trabalho vai acontecer progressivamente, a partir do dia 2 de maio, por grupos de até 300 trabalhadores por vez. A empresa também garantiu que a primeira parcela da PLR, no valor de R$ 5 mil, será depositada no dia 31 de maio e que, mesmo com o contrato suspenso, o trabalhador receberá 100% do salário líquido.
Para os trabalhadores que esperavam uma campanha salarial normal, com reajuste dos salários, o sindicato não está conseguindo agir diferente da gestão anterior. “A direção atual fica criticando a direção anterior (de Silvio Campos), mas esquece que neste ano
já foram mais de 300 demissões em Resende e Porto Real, fora as demissões que estão acontecendo dentro do consórcio modular e eles não falam nada.
Pessoal da transportadora está metendo o pé. Salário mínimo com desconto não
paga as contas”, reclamou um trabalhador do consórcio, pedindo anonimato.

Comissão
Segundo ele, a pressão no chão das fábricas pela aprovação da proposta foi muito grande. E teria partido de trabalhadores da confiança do sindicato, que vão participar da
eleição da comissão como candidatos. “A votação da comissão é dia 10 de abril, mas a pressão aqui está enorme. O Sindicato tem a turma dele na empresa e quer elegê-la. O pessoal tá quase pegando na mão (…) Daí vem um boletim com redução, e a direção do
sindicato não aparece aqui.
Na direção anterior todos os dias o diretor Jovelino estava aqui. Nós caímos no conto do vigário”, reclamou o operário. Ainda de acordo com ele, alguns candidatos favoritos da nova diretoria do Sindicato já estiveram ao lado da gestão anterior.
“Tem candidato da nova diretoria que andava de mãos dadas com a diretoria anterior e, inclusive, foi muito ajudado, até mesmo para voltar a trabalhar dentro da empresa. Tem
outros que já foram da comissão passada e estão querendo voltar para não perder a boca”, contou. O funcionário fez ainda uma revelação. A de que diretores do Sindicato dos Metalúrgicos teriam se encontrado com a direção do RH da Man para tentar modificar o estatuto da eleição da Comissão de Trabalhadores, a fim de beneficiar os candidatos
deles. “Se modificarem o estatuto, a situação vai ficar complicada, porque tem
trabalhador disposto a denunciar todas as irregularidades na Volks da Alemanha”, comentou. A direção do Sindicato foi procurada pelo aQui para comentar as denúncias de
envolvimento nas eleições da comissão, mas não respondeu ao e-mail enviado.
Vale lembrar que a influência de sindicatos na formação das comissões de trabalhadores é vetada pela Reforma Trabalhista (Lei Federal 13.467/17), porém, estaria sendo defendida por assessores jurídicos de Edimar Miguel.

Suspensão do Contrato de Trabalho- FAT
Sim: 1484 – 97,31%
Não: 33 – 2,17%
Nulo: 4 – 0,26%
Branco: 4 – 0,26%
Votantes: 1525
Proposta Aprovada

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