‘É tudo mentira’

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Um senhor furdunço anda agitando a política barramansense. Tanto que o caso foi parar na 90a DP, onde o prefeito Rodrigo Drable (PMDB) esteve para pedir que a polícia investigue os falsos boatos – feitos por dois desafetos, o radialista Sebastião Alves e o ‘fake’ Heitor Amaral – dando conta de uma suposta fraude na merenda escolar de Barra Mansa. “Eles estão mentindo. Não existe fraude. Os técnicos do TCE erraram. Barra Mansa não oferece merenda para só 3.852 alunos. O número é muito maior: 19.066 alunos têm direito à merenda”, frisou Rodrigo, referindo-se à irregularidade apontada pelo Tribunal de Contas para adiar a concorrência da merenda escolar, que seria feita em 8 de agosto.   

 

Baseando-se apenas em 3.852 estudantes, os técnicos do TCE ficaram assustados quando fizeram as contas e entenderam que poderia estar havendo um superfaturamento nos valores que a prefeitura pretendia pagar. Por isso, mandaram adiar a licitação e pediram explicações da prefeitura de Barra Mansa. O adiamento caiu como uma bomba e foi usado pela oposição, como se fosse a fraude fosse real. Que a cidade de Barra Mansa teria apenas 3.852 alunos matriculados em creches, pré-escolas e educação especial.

 

A análise errada dos ‘burrocratas’ do TCE não podia terminar bem. Piorou para ser exato. É que pelo valor total calculado da licitação – de R$ 15.681.615,20 -, o custo diário de uma merenda seria de R$ 20,35, “incompatível com o verificado em contratações similares”, opinaram, comparando os dados de Barra Mansa com licitações feitas por Resende, Volta Redonda e Teresópolis, que tinham custo per capta de, respectivamente, R$ 2,93, R$ 1,93 e R$ 3,50. Ou seja, para eles, os R$ 20,35 de Barra Mansa estariam super, superfaturados.  

 

‘Não é verdade!’. Foi assim, curto e grosso, que Rodrigo Drable começou a mostrar que a análise dos técnicos do TCE – usada pelos seus opositores – está claramente equivocada porque Barra Mansa não oferece, segundo ele, merenda apenas para as crianças das creches, pré-escolas e unidades de educação especial. “Os técnicos não consideraram que o município também serve merenda escolar para os alunos do Ensino Fundamental (do 1º ao 9º ano) e, também, para a Educação de Jovens e Adultos (os EJA’s). O município atende 19.066 alunos”, rebateu Rodrigo, provando que não seriam apenas os 3.852 estudantes levantados pelo TCE.

 

Não satisfeito, Rodrigo revelou a quantidade exata de alunos que têm direito a uma boa merenda escolar: “O município atende ao total de 19.066 alunos, assim divididos: Educação Infantil (Creches e Pré-Escolas) – 2.738 alunos; Ensino Fundamental Anos Iniciais (1º ao 5º ano) – 10.188 alunos; Ensino Fundamental Anos Finais (6º ao 9º ano) – 5.292 alunos; Educação de Jovens e Adultos Fase Inicial (EJA Inicial) – 97 alunos; e Educação de Jovens e Adultos Fase Final (EJA Final) – 751 alunos”, relacionou. “Obviamente, os técnicos equivocaram-se”, disparou.

 

Rodrigo ressaltou ainda que, dependendo do turno, a prefeitura de Barra Mansa serve até três merendas aos alunos matriculados na rede de ensino. Exemplo: O estudante do período da tarde tem direito a um almoço, um desjejum e um lanche.        

 

Os dados detalhados, diz o prefeito, serão reenviados ao Tribunal para que os técnicos possam entender a matemática usada pela secretaria de Educação de Barra Mansa. “O TCE não cancelou nada. Apenas adiou a realização da licitação, até que as informações acima sejam enviadas. Vamos sanar a incompetência dos técnicos em verificar no Censo Escolar, a quantidade de alunos por segmento, e não apenas em um ou dois segmentos”, afirmou Rodrigo, de forma bem irônica por sinal.

 

Na entrevista ao aQui, Rodrigo contou que a prefeitura de Barra Mansa fornece três refeições aos estudantes devidamente matriculados na rede de ensino local. “O município não serve só uma merenda. os alunos do período da manha têm direito a desjejum, colação e, almoço; os alunos do período da tarde ganham almoço, colação e lanche; os alunos do período da noite (EJA) têm direito a um jantar, colação e lanche”, detalhou.

Extorsão

Na segunda, 14, diante da reação dos opositores, Rodrigo Drable postou um vídeo no Facebook, feito na porta da 90a DP. Foi curto e grosso. “Vim pedir que o delegado instaure um inquérito para apurar se há fraude (como dizem, grifo nosso) ou se é só uma tentativa de extorsão que eu estou sofrendo. Vocês, em casa, façam a análise do que significa isso. O que eu posso dizer é que o nosso compromisso é com o que é correto. Eu não vou me acovardar diante de nada”, prometeu, lembrando que nos primeiros cinco meses de 2017, já conseguiu economizar mais de R 1 milhão.

 

“Conseguimos economizar R$1.376.147,72 de merenda escolar nos primeiros cinco meses do ano, comparando igual período de 2016. Conseguimos melhorar a merenda que era servida e até o final do ano deveremos chegar perto de R$ 3 milhões de economia”, comparou. “O valor gasto em 2016 foi superior a R$ 15 milhões. Esse ano, não chegará a R$ 13 milhões”, acrescentou, aproveitando para alfinetar o adversário.

 

“Apesar dos nossos esforços, tem um radialista fazendo sensacionalismo maldoso. Ele tenta enganar o povo. Chegou ao cúmulo de dizer que serão desviados R$ 14 milhões… diz que será desviado mais dinheiro do que o valor total a ser gasto no ano inteiro! Ele não é burro, ele é demagogo. Apesar de saber a verdade, prefere a mentira… E o que ele quer com isso? Consegue imaginar?”, retrucou Rodrigo Drable.

 

Ao aQui o prefeito foi além. Garantiu que fez sim um Boletim de Ocorrência – que a oposição andou negando ter sido feito – contra o radialista Sebastião Alves, que o acusou em um programa de rádio. “Ele falou uma série de mentiras na radio e postou outras no Face. Fiz o Boletim de Ocorrência para que o Delegado instaure inquérito e apure as denúncias que, confirmando-se a falsidade, ensejem processo criminal contra o denunciante”, argumentou.

 

Os boatos acirraram os ânimos de Rodrigo Drable. “Consegui uma economia de R$ 3 milhões na merenda escolar. Do total de R$ 15 milhões previstos serão gastos cerca de R$ 12 milhões. Como essa pessoa tem coragem de dizer que alguém vai desviar R$ 14 milhões? É muita demagogia”, avaliou o prefeito de Barra Mansa. Quanto ao internauta, conhecido como Heitor Amaral, Rodrigo foi lacônico. “Contra o fake eu já tinha feito (Boletim de Ocorrência) na delegacia especializada no Rio de Janeiro”, disse, referindo-se à delegacia especializada de crimes de internet.

Na Radio

Na página do ‘Programa das Seis’, Sebastião Alves chegou a dizer que o Ministério Público e o TCE teriam desmentido Rodrigo Drable. E que, além de não ter publicado a licitação da merenda no site da Transparência da prefeitura de Barra Mansa, como determina a lei, o prefeito teria cometido “outras 21 irregularidades” na Licitação, conforme levantamento que teria sido feito pelo TCE/RJ – que é contestado por Rodrigo Drable.

Entre as irregularidades, diz o radialista, estaria o fato de apenas uma pessoa estar cuidando da licitação, e o “valor exorbitante” da mesma, que seria de R$ 16 milhões (na verdade são R$ 15 milhões). A postagem é acompanhada de imagens do processo licitatório.

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