terça-feira, abril 16, 2024
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Dois pesos…

Por Mateus Gusmão

A Ilha São João, em Volta Redonda, é a maior em toda a extensão do rio Paraíba do Sul. Um espaço cercado por água, que, na cidade do aço, passou a ser usado para grandes eventos: shows, desfiles de blocos de carnaval, exposições, Feira da Primavera, formaturas, encontros religiosos e políticos, entre outros. O aluguel chegou a ser de R$ 20 mil por dia. Mas, de uns anos para cá, o espaço tem sido pouquíssimo utilizado.
O último evento público realizado lá foi em janeiro, o ‘Encontro Anual das Folias de Reis’. E nem tudo ocorreu como previsto. Por conta da má conservação do espaço, a chuva que caiu na hora mostrou as várias goteiras do telhado, e muitas pessoas que estavam sob o pavilhão acabaram se molhando. Pior. Caía água até no palco. “O risco de acontecer um curto- circuito durante as apresentações dos grupos era grande. Havia muito equipamento eletrônico no palco, e o telhado estava com goteira”, comentou uma fonte do aQui.
Talvez seja por isso que durante o Carnaval deste ano a prefeitura de Volta Redonda não tenha utilizado o espaço. Apenas o emprestou, por um dia, para um bloco carnavalesco desfilar, todo pomposo, em nome de uma boate do município. Mostra que o Palácio 17 de Julho tem preferido utilizar a Vila Santa Cecília para os eventos que realiza. O que irrita – e muito – moradores, lojistas e frequentadores da Vila.
Prova disso é o que aconteceu no sábado, 9, quando, pela terceira vez no ano, foi promovido um desfile do Bloco da Vida – desta vez, com a participação de alas da escola de samba Viradouro, campeã do Carnaval carioca. Ainda na madrugada, a Secretaria de Transportes esteve na Vila e fechou a rua 14 para o trânsito de veículos, impedindo os carros de estacionarem e usarem a via que liga a Praça Brasil ao antigo Escritório Central da CSN, porque por ela os foliões desfilariam.
Detalhe: segundo comerciantes e moradores de prédios no entorno, não houve qualquer comunicação oficial de que a rua 14 seria fechada, o que causou revolta em muita gente. O caso revoltou, por exemplo, até um lojista do Pontual Shopping, que reclamou do fechamento da via. “Venho por meio desta deixar nossa indignação. Obrigado prefeito Neto por mais um final de semana fechando as ruas da Vila Santa Cecília, deixando os comércios as moscas. Parabéns pela sua gestão e consideração pelo comércio de sua cidade”, postou.
Em outra publicação, com uma foto da rua 14 completamente vazia, o mesmo lojista escreveu:
“Que gestão é esta, sr. Prefeito @netovoltaredon da?”, indagou, marcando o perfil oficial do chefe do Executivo no Instagram. “Em pleno sábado, semana de pagamento, e a Vila Santa Cecília totalmente sem acesso”, completou. Recebeu o apoio de um internauta, que escrveu: “Isso arrebenta com o comércio. Movimento cai. Fecha às 7 da manhã para um desfile às 9 da noite”, pontuou.
Um morador do Edifício Justino Molica, que pediu para não ser identificado, enviou ao aQui fotos do desfile do Bloco da Vida e da Viradouro. “Ficou vazio, a chuva atrapalhou um pouco”, disse. Questionado se foi avisado acerca do fechamento da via, ele disse que não. “Ninguém, pelo menos até onde sei, foi avisado do fechamento da rua. A gente foi surpreendido com isso já na madrugada de sexta, 8, até o final do desfile. O trânsito durante o dia ficou caótico”, afirmou, ressaltando, entretanto, que o som alto acabou por volta das 22 horas. “Pelo menos isso”, brincou. Bienal acontecerá na Ilha
Mas nem tudo está perdido. O Palácio 17 de Julho decidiu apoiar um evento cultural na Ilha São João. Será de4a7deabril, quando o espaço vai receber a 5a Bienal do Livro de Volta Redonda, realizada pelo Instituto Dagaz. Haverá palestras, debates, lançamentos de livros e estandes de livrarias e editoras. Ao todo, mais de 100 atrações culturais e literárias já estariam confirmadas, distribuídas em cinco espaços distintos: Jovens & Professores, Mesas de Debate, Infantil/Saraus, Palco Gentileza e Palco Principal.
“Quem vier à Bienal vai se divertir e se alimentar de muita cultura. Teremos mais de 260 profissionais envolvidos em um ambiente aconchegante”, prometeu Camilla Araújo, presidente do Instituto Dagaz. Este ano, a Bienal de Volta Redonda fará uma homenagem a José Datrino, mais conhecido como Profeta Gentileza, uma personalidade urbana carioca pregadora, que se tornou conhecido a partir de 1980 por fazer inscrições peculiares sob um viaduto no Rio de Janeiro. “No momento em que o mundo está passando por guerras, falar de gentileza, pregar as palavras do profeta, é acreditar em dias melhores” disse Marinez Fernandes, coordenadora da Bienal do Livro de Volta Redonda.

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