Diminuindo o sufoco

Recentemente, a direção da Cohab-VR apresentou um balanço parcial das renegociações de dívidas com mutuários inadimplentes feitas no período de janeiro a junho. Detalhe: 75 acordos foram feitos, chegando à soma de R$ 2 milhões e 400 mil, que estavam perdidos até então. Tem mais. Outros 65 contratos ainda estão sendo renegociados e, se as duas partes se entenderem, a empresa terá o que comemorar, pois terá um incremento na receita da ordem de 30%. “O valor total das negociações poderá chegar a R$ 5 milhões”, avalia Maycon Abrantes, presidente da Cohab-VR.
Em entrevista exclusiva ao aQui, o também vice-prefeito lembra que o resultado foi bom inclusive para os mutuários que estavam inadimplentes. “As parcelas (que vão pagar) são a partir de R$ 150, menores que qualquer aluguel”, destaca, lembrando que a renegociação vai até 30 de setembro. “O resultado foi muito positivo, mas ainda temos uma inadimplência alta e por isto decidimos pela prorrogação do programa”, disse, para logo completar: “Conseguimos renegociar 75 contratos, equivalente a R$ 2,4 milhões que estão sendo recuperados, o que equivale a 15% a mais na nossa receita. E poderemos ter 30% de aumento na receita com o novo prazo (até 30 de setembro). Poderemos ter algo em torno de R$ 5 milhões”, crê.
Comandando a Cohab-VR há apenas seis meses, Maycon reconhece que o resultado poderia ser melhor, afinal a empresa, que é de economia mista, tem uma quantia milionária a receber, da ordem de R$ 380 milhões. “A população estava aguardando muito pela redução de juros –  de até 70% em descontos – com longo prazo – de 300 vezes – para pagar, conforme a idade do mutuário, e parcelas a partir de R$ 150. Aconselhamos as pessoas, donas dos imóveis e com dívidas, a não perder a oportunidade. Procurem a Cohab para resolver qualquer situação, seja de parcelas atrasadas, contratos informais ou ocupantes que comprovem a renda, há mais de 5 anos no imóvel. Estamos prontos para regularizar a sua casa, ou seu contrato para que tenha a escritura ao final do pagamento”, destacou.
Desde que assumiu a presidência da empresa – problemática desde que passou a se aventurar por outras praças em governos anteriores (até casa na Baixada andou fazendo para vender – e não receber) –, Maycon contou com a sorte. É que a Assembleia Legislativa aprovou a Lei Estadual 8423/2019, que dá isenção  de taxas e custos cartorários na regularização de imóveis, beneficiando a cerca de 4.500 famílias devedoras ou não da Cohab. A medida vai representar uma economia de R$ 2 milhões para os cofres públicos.  
Veja abaixo a entrevista exclusiva de Maycon Abrantes ao aQui:

aQui: Quantos contratos inadimplentes ainda estão pendentes? Que percen-tual isso representa?
Maycon Abrantes: Atualmente temos 5.483 contratos entre ativos e inadimplentes. 4.380 contratos estão inadimplentes acima de quatro prestações. Isso representa 77%. Apenas 576 contratos estão adimplentes e outros 527 estão com menos de quatro prestações atrasadas.

aQui: Qual o valor total dos mesmos, sem descontos e com descontos?
Maycon: R$ 381 milhões é o total da dívida desses contratos sem descontos. Aplicando o percentual de desconto, com média de 60% de redução, o valor da dívida atinge R$ 152 milhões a ser renegociado. Aplicando o prazo de 300 meses para renegociação desse total o incremento na receita da Cohab-VR seria de R$ 500 mil/mês.

aQui: Como avalia ter renegociado apenas 75 contratos, o que equivale a 15% do total? O que emperrou na negociação dos demais 65?
Maycon: No total do período de março a junho tivemos 140 contratos com propostas de renegociação. Já concluímos a renegociação com 75 contratos, o que nos incre-mentou em receita o valor de R$38 mil mês. Os demais 65 contratos estão em operacionalização para concluir a renegociação, os quais deverão gerar um incremento em torno de R$35 mil. Até maio, nossa receita média era de R$260 mil mês; dessa forma, até junho teremos um incremento de receita quase 30% maior.

aQui: Até 30 de setembro vocês esperam renego-ciar (na prática) quantos desses contratos?
Maycon: Como a procura foi maior no mês de junho após divulgação nas rádios e outdoor, decidimos prorrogar o período de adesão. Nossa meta é aumentar em 50% a receita da Cohab com esse programa. Não levamos em consideração a quantidade de contratos.

aQui: A isenção que a Cohab de Volta Redonda também terá direito com a Lei Estadual 8423/2019 vai beneficiar a empresa ou os mutuários?
Maycon: A Lei beneficia a Cohab. Para os mutuários, estes já possuem gratuidade na escritura quando cumprirem os requisitos da Lei, acima de 60 anos com renda até 10 salários mínimos.

aQui: É verdade que a isenção vai beneficiar, com isenção  de taxas e custos cartorários na regularização de imóveis, apenas 4.500 famílias? E as demais? Quanto uma família gasta para regularizar uma escritura da Cohab?
Maycon: Sim. Pois esses 4.500 imóveis estão irregulares em cartório por responsabilidade da Cohab; os demais estão regularizados. Caso o mutuário não atenda aos requisitos da gratuidade de registro de Escritura, a despesa será de acordo com tabela cartorária que leva em consideração o valor do imóvel. As despesas cartorárias ou suas isenções são apresentadas pelo cartório; na Cohab, a taxa para emissão dos documentos é de aproximadamente R$ 300,00.

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