Despedindo-se

sebastiao-faria_cor

O engenheiro Sebastião Faria vai sair de férias na próxima segunda, 19. E não retornará mais à direção do Serviço Autônomo Hospitalar. Em entrevista exclusiva ao jornal aQui, Faria revela que aceitou o convite para assumir a direção da Fundação de Saúde de Angra dos Reis, atendendo pedido feito pelo prefeito eleito da cidade praiana, Fernando Jordão. Tem mais. O ex-presidente da CSN, um dos melhores da equipe do prefeito Neto, vai acumular a função com a de diretor do Hospital Regional, prestes a entrar em operação. “Inicialmente, vou acumular a Direção do Hospital Regional com a Presidência da Fundação do Hospital de Japuíba”, pontuou.    

 

Na entrevista, Faria conta que ir para uma cidade vizinha, comandar a área de Saúde, não o assusta. Muito pelo contrário. “O sentimento de fazer o melhor pelo próximo é maior que qualquer outra coisa”, dispara, prometendo arregaçar as mangas e trabalhar duro, muito duro, para que as coisas se acertem também em Angra dos Reis.

Veja a seguir a entrevista exclusiva com Sebastião Faria:  aQui: Por que o senhor aceitou ser diretor da Fundação de Saúde de Angra dos Reis?

Sebastião Faria: O trabalho no setor público, ainda mais na área de saúde, é sempre um desafio. Na situação atual do país diria que até mesmo no setor privado as coisas estão muito difíceis. Não como no setor público, mas estão difíceis. Voltando ao convite, o sentimento de fazer o melhor pelo próximo é maior que qualquer outra coisa. É um desafio que quando vencido gera uma satisfação sem igual. Vou novamente em busca deste sentimento.        

 

aQui: O que o levou a trocar a direção do Hospital Regional pela direção da FSAR? 

Faria: Inicialmente, vou acumular a Direção do Hospital Regional com a Presidência da Fundação do Hospital de Japuíba.

 

aQui: E quem vai substituí-lo mais tarde no Hospital Regional?

Faria: Ainda não sei.

 

aQui: Dizem que a situação financeira de Angra é das piores da região; como administrar uma fundação sem recursos?  

Faria: Acho que Angra sofre tanto quanto outros municípios. Não tenho esses dados em mãos para concordar ou discordar. Sei que o prefeito realmente vai encontrar uma situação muito delicada. Não sabemos se somente pela falta de recursos ou pelo modelo de gestão que foi empregado nos últimos anos. Independentemente do caso, vamos arregaçar as mangas e trabalhar duro para as coisas melhorarem.                       

 

aQui: O que levou o prefeito eleito Fernando Jordão (PMDB) a convidá-lo a ocupar tal cargo?

Faria: Esta pergunta deve ser feita ao próprio prefeito. Seria muita pretensão falar por ele e sobre minha pessoa na mesma resposta.               

 

aQui: Compare, se possível, a FSAR e o HSJB, apontando os pontos fortes e fracos de cada unidade?

Faria: Acho difícil fazer esta comparação neste momento. Ainda estamos tomando ciência da situação em Angra, ao passo que aqui em Volta Redonda podemos dizer que temos expertise.                       

 

aQui: O que sua experiência à frente do Serviço Autônomo Hospitalar de Volta Redonda – e do Hospital São João Batista – poderá ajudá-lo em Angra?

Faria: Ajuda muito, sem dúvida. Assim como toda a experiência que adquiri ao longo de minha carreira nas mais diversas funções. É válido o ditado de que aprender não ocupa espaço. Estou aprendendo até hoje. Estar aberto a aprender é sem dúvida uma virtude.                       

 

aQui: Quais foram as maiores dificuldades que o senhor teve à frente do HSBJ?

Faria: O momento de crise financeira, sem dúvida. Foram muitos desafios, mas a maior parte deles por conta dessa situação crítica da economia nacional.                       

 

aQui: A partir de segunda, 19, o senhor estará de férias e não deverá voltar mais ao SAH. Do que sentirá mais falta?

Faria: De muita coisa, mas da equipe principalmente. Um hospital como o nosso de Volta Redonda apresenta muitos problemas, muitas barreiras que apenas são vencidas com uma boa equipe. Tive muita gente boa ao meu lado. Tenho certeza que a população reconhece esse trabalho.                       

 

aQui: O Hospital São João Batista recebe por dia muitos pacientes de outras cidades da região. Para o senhor, como resolver esse problema?

Faria: É um problema extremamente complexo. Somente das concessionárias que administram as rodovias chega muita gente. Para o caso dos pacientes das cidades vizinhas a solução era que a saúde melhorasse de uma maneira geral. Ou que uma cidade como Volta Redonda recebesse um olhar diferenciado dos governantes para poder atender a todos.                        

 

aQui: O senhor quase se aventurou na política ao ser lançado como pré-candidato à prefeitura pelo prefeito Neto. Se arrepende de não ter sido candidato? Por quê?                       

Faria: Felizmente não tive e pelo visto não terei tempo de me arrepender. Minha vida sempre foi assim, um desafio atrás do outro. Uma coisa é certa, teria sido um candidato esforçado e um prefeito extremamente determinado. Por agora, nos resta desejar todo sucesso ao novo prefeito e sua equipe.

Obras civis serão entregues hoje, sábado, 17

hrmp-08-12-16-45

Hoje, sábado, 17, às 10 horas, possivelmente com a presença do governador Luiz Fernando Pezão e do ministro da Saúde Ricardo Barros, serão entregues as obras de conclusão do Hospital Regional do Médio Paraíba, batizado de Dr.ª Zilda Arns Neumann, construído no Roma, em Volta Redonda, para atender os 12 municípios que compõem o Cismepa (Consórcio Intermunicipal de Saúde do Médio Paraíba): Volta Redonda, Resende, Rio Claro, Rio das Flores, Barra Mansa, Barra do Pirai, Quatis, Itatiaia, Pirai, Pinheiral, Porto Real, Valença. Quando entrar totalmente em operação, o HR irá beneficiar cerca de 1,2 milhões de habitantes.

 

No evento, a prefeitura de Volta Redonda fará a entrega das chaves da unidade para o governo do Estado – que irá definir, junto ao Cismepa, como será a forma de gerenciamento do Hospital Regional a partir de janeiro quando se espera que entre em operação o Centro de Imagem da unidade. O custeio, que é grande problema a ser resolvido a partir do momento em que tudo passar a funcionar, teoricamente acordado pelo Cismepa com o Ministério da Saúde ficará assim: 70% dos custos de manutenção com o Governo Federal e 30% com o governo do Estado, que enfrenta séria crise financeira, assim como todos os municípios da região.

 

O Hospital Regional, quando entrar em operação, realizará atendimentos pelo SUS (Sistema Único de Saúde) de alta e média complexidade, e terá 229 leitos, sendo 47 de UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) e 50 de UI (Unidade Intermediária), e um Centro Cirúrgico com seis salas para as cirurgias de alta complexidade. O ambulatório contará com 10 consultórios e três salas para pequenas cirurgias e endoscopias. O atendimento será por demanda referenciada para as cirurgias de alta complexidade em neurocirurgia, traumato-ortopedia, oftalmologia, cirurgia bariátrica, transplante de rins e de córneas.

 

Investimento

De acordo com o engenheiro Sebastião Faria, presidente da Comissão de Fiscalização das Obras, o investimento nas obras civis foi de R$ 68 milhões, com recursos do governo do Estado, e outros R$ 60 milhões serão destinados à compra dos equipamentos e mobiliário, através de licitação pública. “Nós estamos construindo um hospital para os próximos 50 anos. É importante destacar que o Cismepa e a Secretaria de Estado de Saúde fizeram um plano de curto, médio e longo prazo para a ocupação gradual da unidade”, ressaltou Faria, que completou: “O objetivo traçado para o HR é aumentar a autonomia e a resolutividade na rede pública, nas áreas hospitalar e ambulatorial de média e alta complexidade, que são deficitárias ou inexistentes na região do Médio Paraíba, prestando um atendimento de alta confiabilidade e qualidade”.

 

O presidente da Comissão confirmou a informação divulgada pelo prefeito Neto que a obra teve um custo por metro quadrado muito abaixo da média do mercado, mantendo a mesma qualidade. “Uma obra desse porte atualmente tem um custo de R$ 5 a R$ 6 mil por metro quadrado. Nós fizemos por R$ 2,6 mil o metro quadrado, porque ela teve um acompanhamento muito de perto da Comissão de Fiscalização”, destacou Faria.

 

Segundo ele, na construção do hospital foram utilizadas cerca de mil toneladas de aço para a estrutura metálica, e uma grande parte das paredes foi erguida com gesso acartonado (drywall), material isolante térmico e acústico, mas muito mais leve que alvenaria, reduzindo o peso de toda a estrutura e barateando a obra.

 

Obra

A construção do HR foi iniciada no final de maio de 2011 em uma área de 54 mil m2, no Roma, ocupando uma área construída de 26,4 mil m2. O seu local estratégico favorece o acesso para as ambulâncias dos municípios integrantes do Cismepa, e foi escolhido por um grupo técnico das prefeituras que estudou a sua implantação e localização.

 

A responsável pelo projeto da obra é a arquiteta Cláudia Maria Freitas de Amorin, tendo no desenvolvimento do projeto o apoio das arquitetas Eliane Delgado Ferreira e Carmem Déa dos Santos.

O HR está dentro dos padrões ecológicos de sustentabilidade, com estação própria de tratamento de esgoto, sistema de energia solar para água quente, melhor aproveitamento de luz solar na parte dos corredores, dispensando luzes elétricas, além do uso de lâmpadas leds – o que irá gerar 95% de economia no consumo de energia elétrica – e reuso de águas pluviais para os jardins. O Hospital contará ainda com estacionamento para os visitantes com espaço para 370 veículos.

 

O Hospital Regional terá na parte ambulatorial de apoio a diagnose e terapia, serviços de imagens –tomografia computadorizada, ressonância nuclear magnética, Raio X, ultrassom, laboratórios de patologia clínica e análises clínicas, hemoterapia, e terapia renal substutiva (ao pé do leito). Na Internação, haverá as clínicas de traumato ortopedia (adulto/infantil) com 36 leitos, neurocirurgia (16 leitos), cirurgia bariátrica (oito leitos), cirurgia oftalmológica (quatro leitos), cirurgia geral (12 leitos), clínica médica (28 leitos), pediatria (oito leitos), transplante adulto/infantil (12 leitos), isolamento adulto/infantil (10 leitos), leitos de UTI e UI adulto, pediátrico, e pós cirúrgico (95 leitos), totalizando 229 leitos.

 

Samuca se fez presente

 Como prefeito eleito, Samuca Silva (PV) participou na sexta, 9, em Piraí, da reunião do Consórcio Intermunicipal de Saúde do Médio Paraíba. Entre outros temas, foi debatido o custeio para o funcionamento e a manutenção do Hospital Regional. E o verde defende uma maior participação do governo Federal na manutenção da unidade. “Respeito as decisões do Consórcio, mas acho necessária uma maior discussão entre os municípios da nossa região, principalmente sobre o custeio. Se possível, esse tema deveria estar equacionado antes da inauguração”, disse . 

 

Outro ponto defendido por Samuca é um amplo debate sobre o modelo de gestão da unidade médica. “Devemos ter um hospital de ponta e a indicação e escolha da direção deverão seguir critérios técnicos. Tem que ser um profissional que conheça bem a realidade da saúde pública na região”, comentou, dando a entender que ainda não sabe que o atual prefeito de Resende, José Rechuan, já teria sido escolhido para assumir a direção médica do HR. Ou, sabendo, aproveitou a oportunidade para se posicionar. Contra? É, pode ser!

neto-e-zilda-arns

Homenagem
Na entrega das obras está confirmada a vinda do Nelson Arns Neumann, filho de Zilda Arns, que era médica pediatra e sanitarista, fundadora e coordenadora nacional da Pastoral da Criança, criada em 1983, juntamente com o cardeal arcebispo Dom Geraldo Majela Agnello, atendendo pedido da CNBB (Confederação Nacional dos Bispos Brasileiros). Ela faleceu em 12 de janeiro de 2010, quando fazia trabalho humanitário no Haiti, vítima do terremoto que matou milhares de pessoas no país. 

Deixe uma resposta