De surto em surto…

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Roberto Marinho

Na terça, 24, começa mais uma campanha nacional de vacinação, desta vez da gripe. A secretaria de Saúde de Volta Redonda pretende vacinar 60 mil pessoas, e a de Barra Mansa tem como meta imunizar 50 mil pessoas. Ainda se refazendo dos sustos com a febre amarela, que ainda continua a pipocar pela região, como em Quatis, a questão da vacinação passou a ter um peso tão grande que o próprio prefeito Samuca Silva pede ajuda da população. “Queremos fazer a divulgação maciça da campanha (da gripe). Conversem com vizinhos, no trabalho, usem as redes sociais”, pontuou.  

 

Ele tem razão. A maior parte das doenças que andam assustando a população nos últimos tempos – febre amarela, conjuntivite, gripe e a dengue, companheira de todo verão – tem formas de prevenção muito simples. “Faça sua parte: vacine suas crianças e você mesmo; lave as mãos; retire os criadouros de mosquito da sua casa. Isso já é um grande avanço”. Essa é a receita do médico infectologista da secretaria de Saúde de Volta Redonda, Eduardo Rafael Ulloa Candanoza, para evitar um novo surto na cidade do aço.

 

O médico aproveita para chamar a atenção para outro problema relacionado às doenças, e que não afeta só elas: as informações falsas divulgadas em grupos de WhatsApp e nas redes sociais. “Essas mídias divulgam muitas informações alarmistas e errôneas”, explica Eduardo, lembrando a mais recente delas, dando conta que o surto de gripe seria causado pelo vírus da Influenza H2N3. “Acontece que este vírus não existe, o que existe é o H3N2. Ainda que a pessoa tenha se confundido – na verdade o vírus é o H3N2 –, a mensagem é alarmista e traz informações falsas”, diz o infectologista, ressaltando que o vírus que está mais circulando atualmente no País é o H3N2.

 

O mesmo aconteceu com os casos recentes de conjuntivite, que lotaram os postos de Saúde de várias cidades da região, incluindo Volta Redonda. Em um grupo de WhatsApp que o aQui teve acesso, até mesmo um médico divulgou um alerta dando conta que o surto de conjuntivite estaria afetando “toda a América Latina”. “Essa informação é falsa”, dispara o infectologista, que, no entanto, confirma que houve um surto localizado da doença. “Isso ocorreu simplesmente porque as pessoas não lavam as mãos”, simplifica Eduardo, acrescentando que a maior parte dos casos de conjuntivite poderia ter sido evitada com esse cuidado simples de lavar as mãos.

 

“Piscinas que não foram tratadas adequadamente com cloro também são um veículo importante na transmissão da doença, e isso traz um complicador no verão”, argumenta o médico, ressaltando que ainda assim o ato de lavar as mãos ajudaria a reduzir muito o número de casos.  

Cuidado constante

Segundo Eduardo, os cuidados devem ser contínuos, e a população deve sempre atender às campanhas de vacinação lançadas pelas autoridades de Saúde. “O vírus da Influenza sofre mutações a cada ano, por isso é necessário se imunizar a cada campanha. Todo ano muda-se a composição das vacinas, por causa das mutações do vírus”, explica o médico, que completa: “Quando um vírus sofre uma mutação tão grande, que seu corpo não o reconhece mais, esse vírus tem capacidade de provocar uma pandemia, que foi o que aconteceu com o H1N1 em 2009”, avalia.  

 

O médico ressalta que hoje em dia, com a velocidade e facilidade dos deslocamentos – de avião ou trem, por exemplo – para uma grande quantidade de pessoas, o contágio em massa é quase certo. “O ideal é inclusive que as pessoas usem máscaras quando estiverem gripadas. Mas a cultura de como lidar com a gripe é muito nova no Brasil”, salienta Eduardo.

Vírus do fim do mundo?

Meio de brincadeira, o repórter do aQui perguntou ao médico infectologista se as possibilidades levantadas por inúmeros filmes de ficção, de que um vírus poderia causar o fim da população humana na Terra, Eduardo respondeu sorrindo, mas falando sério. “Sim, essa possibilidade existe. Se aparecer um vírus – uma mutação natural, por exemplo – que o nosso corpo não reconheça, não tenha anticorpos, e que cause uma doença grave, uma febre hemorrágica, por exemplo, isso pode acontecer”, afirma.

 

Segundo ele, entre as doenças hemorrágicas estão a causada pelo vírus ébola, que só existe na África. “Outra coisa que preocupa são as doenças transmitidas pelo ar, que podem provocar um contágio em massa rapidamente”, frisa, aproveitando para lembrar que uma dessas doenças é a causada pelo bacilo do antraz, que na forma de um fino pó branco, se espalha facilmente pelo ar. “O antraz já foi utilizado em tentativas de bioterrorismo, e hoje, em todo o mundo existem diversos laboratórios pesquisando estes tipos de agentes, para evitar as consequências de uma possível contaminação em massa intencional”.

 

Ou seja, um vírus pode acabar com o mundo, sim. Mas por enquanto, dá para ir se virando muito bem comparecendo às campanhas de vacinação e lavando sempre as mãos.          

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