Como assim?

Atraso na vacinação contra Covid-19 em Volta Redonda revolta população

A única arma tida como eficaz contra a Covid-19 – a vacinação, seja qual for o fabricante – está a passos de cágado pelo Brasil. Em Volta Redonda, é claro, não poderia ser diferente. O atraso está queimando o filme do governo Neto e gera indignação e aflição em grande parte da população. Nas redes sociais, a chiadeira é geral. Em termos de comparação, enquanto Barra Mansa já iniciou a vacinação dos idosos de 62 anos, na cidade do aço, quem tem de 60 a 66 anos ainda não foi vacinado. A prefeitura local tenta se eximir da culpa, diz que o atraso se deve ao andar de cima (governo do estado e Ministério da Saúde) e mostra que até ontem, 16, já tinha vacinado 61.512 pessoas, sendo 44.854 com a primeira dose e 16.658 com a segunda dose.
A paralisação da vacinação, tanto da segunda dose quanto da primeira dose da CoronaVac, na terça, 13, revoltou muita gente. O problema, é claro, foi provocado pelo atraso na importação de insumos para a fabricação da vacina, de responsa-bilidade do governo Federal e do Instituto Butantan. Mas, segundo uma fonte, que pediu anonimato, ao se informar sobre a vacinação na cidade, ela ficou sabendo que só haveria o imunizante no posto de Saúde da São Geraldo. “Liguei para confirmar se tinha a vacina disponível e me informaram que não tinha. E que a aplicação da segunda dose teria sido adiada para a semana que vem, porque um estudo mostrou que a eficácia da vacina aumenta se as doses forem mais espaçadas”, informou, meio que desconfiada. “E se a vacina não chegar antes de completar os 28 dias, que é o máximo de intervalo entre as doses? Vou ter que tomar tudo de novo?”, questiona.
Além do episódio acima, outros fatos têm provocado a ira dos internautas diante da demora na vacinação em Volta Redonda – seja a primeira ou segunda dose, do fabricante A, X ou Y. Um deles é que pessoas de outros municípios estariam se vacinando na cidade do aço, fato confirmado pela própria secretaria de Saúde, que passou a pedir com-provante de residência de quem se apresenta para ser vacinado. “Nas áreas limítrofes, como Barra do Piraí e Barra Mansa, há um movimento histórico do fluxo de pessoas entre uma cidade e outra. Nos chegaram alguns relatos de casos como citado e, por isso, a prefeitura iniciou o pedido de comprovante de residên-cia para todos que desejarem se vacinar na rede municipal de Volta Redonda”, informou a pasta, por meio de nota encaminhada pela secretaria de Comunicação.
O aQui também procurou saber se era verdadeira a informação de que estudantes dos cursos da área de Saúde estariam sendo vacinados em detrimento de alguns profissionais da área que não teriam tido a mesma sorte. Sobre a vacinação dos estudantes, as autoridades disseram que seguiram “o protocolo do Ministério da Saúde”; quanto aos médicos e enfermeiros que ainda não teriam sido imunizados, limitou-se a informar que “cumpriu as metas estabelecidas pelos governos federal e estadual para este público”. Para com-pensar, prometeu uma repescagem. “Serão feitas repescagens para vacinar profissionais que eventualmente ainda não tenham recebido sua dose de direito”, comunicou a secretaria de Saúde de Volta Redonda.
A pasta também descartou duas situações que geram dúvidas na população. Uma delas é sobre a xepa, termo usado para definir a situação que ocorre quando um frasco do imunizante é aberto e não é usado na sua totalidade – de 10 aplicações, sobram uma ou duas. A sobra é a xepa, e tem que ser aplicada no mesmo dia. Ou jogada fora, o que seria um tremendo desperdício.
A xepa, segundo informações, estaria sendo aplicada em pes-soas que não neces-sariamente pertenceriam ao grupo que teria tido direito à vacinação naquele momento. Estaria criando os famosos ‘fura-filas’. A secretaria de Saúde descartou que isso esteja ocorrendo, afirmando que não há sobra de doses de imunizantes em Volta Redonda. “A maior preocupação da prefeitura é justamente o contrário, estamos em busca de mais vacinas”, justificaram.
Quanto ao desvio de vacinas ou falsas aplicações (quando o paciente recebe uma “dose de ar”, com a seringa vazia), que já ocorreu em Barra Mansa, a secretaria de Saúde de Volta Redonda afirmou que nenhum desses episódios foi registrado na cidade.
Queimando o filme
O aQui também encaminhou à secretaria o caso de uma aposentada que foi proibida de filmar ou fotografar a própria vacinação por profis-sionais de enfermagem do Cais Conforto. “Elas (enfermeiras) disseram que era proibido – até por uma determinação do Coren (Conselho Regional de Enfermagem), e que se eu tentasse fazer isso, iriam me processar”, denunciou a senhora nas redes sociais. A secretaria de Saúde foi clara e a regra vale para todos os postos de vacinação: todas as pessoas podem filmar ou fotografar o ato da vacinação “desde que não identifiquem o profissional de saúde, que tem o direito legal de não querer aparecer”. Ou seja, só não podem mostrar o rosto de quem está aplicando a vacina. Simples assim.
O aQui também fez a pergunta fatídica – por que a vacinação está tão atrasada em relação a outros municípios? – para a secretaria de Saúde. A resposta da pasta é que o público prioritário definido pelo Ministério da Saúde – idosos, profissionais e estudantes da área da saúde – é muito grande na cidade. E que Volta Redonda possui oito hospitais (entre públicos e privados), além de uma UPA, Cais Conforto, 46 unidades básicas, centenas de clínicas médicas, consultórios etc, além de abrigar o UniFOA, um dos maiores centros universitários com cursos na área de saúde do país. Ou seja, seriam milhares de profissionais de saúde.
Outro aspecto citado pela secretaria é que Volta Redonda tem a maior população idosa da região. “Mesmo com isso tudo, Volta Redonda aplicou mais de 60 mil doses de vacinas e, percentualmente, é a cidade que mais vacinou no Sul Fluminense”.

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