segunda-feira, junho 27, 2022

Coisa feia!

Lixão desativado continua gerando chorume que polui rios pela cidade do aço

Roberto Marinho

Volta Redonda não terá muito o que comemorar amanhã, domingo, 5, quando se celebra o Dia Mundial do Meio Ambiente. De bom, como o aQui noticiou com exclusividade na edição passada, só o acordo proposto pela CSN para diminuir a altura das pilhas de escória que são depositadas no bairro Brasilândia, podendo reduzir a poeira que cai sobre a área há décadas. Tudo bem que vai demorar 19 anos para as pilhas chegarem à altura de prédios de três andares – de oito metros –, mas já é alguma coisa.
No entanto, se depender da prefeitura de Volta Redonda e do Inea (Instituto Estadual do Ambiente), a cidade vai continuar sendo poluída no seu dia a dia. Prova é que as denúncias publicadas pelo aQui sobre o antigo lixão na Rodovia dos Metalúrgicos, próximo à Casa de Portugal, continuam sendo descumpridas e pouca coisa mudou. O local – desativado há 10 anos, por causa de uma Ação Civil Pública movida pelo Ministério Público Federal (MPF) – continua recebendo resíduos diversos que prejudicam o meio ambiente. Para piorar, segundo uma fonte, caminhões a serviço da prefeitura local estariam jogando restos de poda de árvores no lixão, que fica ao lado da Floresta da Cicuta e do Rio Brandão. “Esta semana vi dois caminhões lotados com resíduos de poda (de árvores) entrando lá no antigo lixão. Matéria orgânica não deveria entrar de jeito nenhum, pois vai virar chorume”, denunciou. “E continuam jogando tudo lá”, acrescentou.
Aliás, um dos motivos que levaram o MPF a pedir o fechamento do antigo aterro sanitário é que todo o chorume – líquido altamente poluente gerado pela decomposição da matéria orgânica jogada no lixão – caía diretamente no Córrego Brandão, que sai da Cicuta e corta os bairros de Casa de Pedra, Jardim Tiradentes, Jardim Esperança, Sessenta e Vila Santa Cecília. Por isso, mesmo com a melhor das intenções, não adianta muito gastar milhões construindo estações de tratamento de esgoto – como a ETE Gil Portugal, na Vila – se um dos principais rios que seriam beneficiados pela despoluição já está contaminado antes de chegar à cidade.
Segundo a fonte, que pede que seu nome não seja revelado, foi a própria secretaria de Meio Ambiente de Volta Redonda quem autorizou o descarte da matéria orgânica no lixão desativado. “Foi a pasta de Meio Ambiente que autorizou o despejo de vegetais”, disparou, referindo-se aos galhos de árvores que estão sendo transportados de vários bairros até a área do lixão. “As empresas que fazem esse descarte têm que ser licenciadas pelo Inea. Todos os caminhões, inclusive, devem apresentar o Manifesto de Resíduos, que só as empresas com licença ambiental podem emitir”, explicou a fonte. “Só que isso não é cobrado”, lamenta.
Ao ser procurada para falar do caso, a direção do Inea informou ao aQui que a secretaria de Meio Ambiente de Volta Redonda é quem seria responsável pela administração do local. Não é bem assim. Segundo a fonte, o órgão estadual deveria fiscalizar se a prefeitura está seguindo as regras para que o local funcione, conforme prevê o TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) firmado entre a administração municipal e o MPF para receber, exclusivamente, resíduos inertes, como entulho de obras. “O Inea finge que não vê, só tem sacanagem”, disparou a fonte, indignada.
Em nota enviada pela Secom (secretaria de Comunicação), a secretaria de Meio Ambiente de Volta Redonda informou que uma inspeção teria sido realizada na quarta, 1, no local, garantindo que “nada foi encontrado de irregular na área citada”. A pasta afirmou ainda que realiza fiscalizações regulares no local, e que “possui autorização para receber galhos oriundos de podas de árvores, o que não gera problemas”. Há controvérsias, é claro.
Nota da redação: A superintendência regional do Inea também foi procurada para falar da nova denúncia, mas, até o fechamento desta edição, não tinha se pronunciado. Talvez fale antes do próximo Dia Mundial do Meio Ambiente.

GM flagra despejo irregular em ‘lixão clandestino’

Não é de hoje que o aQui vem denunciando a existência e criação de outros lixões em Volta Redonda. Não oficiais, como o que existe perto da Floresta da Cicuta, mas clandestinos, como o que vem crescendo de tamanho quase ao lado Hospital Unimed, também na Rodovia dos Metalúrgicos. Localizado na Rua 719 – uma viela comprida e sem saída, usada até como estacionamento por usuários e funcionários do hospital –, o novo lixão vem recebendo todo tipo de resíduo, de restos de obras a móveis velhos, além de fraldas sujas, televisores quebrados e pneus desde 2019.
Havia uma câmera no local, que estava quebrada. Mas, recentemente, o equipamento foi consertado e a rua passou a ser monitorada pelo Ciosp (Centro Integrado de Operações de Segurança Pública). Na semana passada, os agentes do Centro flagraram quando uma mulher, dirigindo um Spin branco, entrou na rua sem saída, estacionou e retirou do porta-malas do veículo diversas caixas contendo restos de obra, como latas de tinta, madeira, canos de PVC, entre outros.
Orientados pelo Ciosp, guardas municipais foram até o local e abordaram a mulher. Em sua defesa, ela alegou que “todo mundo joga entulho nesse local (Rua 719)” e achava que não estava fazendo nada de errado. Mas, em seguida, reconheceu o erro, recolheu o material descartado e se comprometeu a não jogar mais lixo em qualquer rua de Volta Redonda. Mesmo assim, foi autuada por abandonar objetos na via, prevista no Código de Trânsito Brasileiro (CTB).
O comandante da GM, inspetor João Batista dos Reis, afirmou que a rua recentemente passou por uma limpeza, feita pela secretaria de Infraestrutura,e estava sendo monitorada pelo Ciosp. “Essa rua estava totalmente lotada de entulho e, na semana passada, solicitamos à secretaria de Infraestrutura (SMI) que realizasse a limpeza e o Ciosp passou a monitorar o local, sem data para encerrar. Vamos fiscalizar o tempo todo”, afirmou.
Luiz Henrique, titular da secretaria de Ordem Pública, responsável pela operação do Ciosp, lembrou que a Rua 719 é comumente utilizada para o descarte ilegal de entulho e lixo. E ele aposta que a atuação do Ciosp possa melhorar a situação. “Esperamos que esse monitoramento seja um freio nesta prática delituosa, pois se trata também de um crime ambiental”, disse. Pena que as câmeras do Ciosp não atinjam a área do lixão de Volta Redonda, né?

 

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