Clima de guerra

paulinho do raio-x

Em clima de muita tensão, os vereadores de Volta Redonda voltaram a se reunir na segunda, 15. Foi a primeira vez que eles se encontraram após o ‘quebra-pau’ envolvendo o vereador Paulinho do Raio-X e parlamentares do ‘Grupo dos 14’ que, como o aQui noticiou, com exclusividade, foi travado na noite do dia 11. A crise, incontornável a princípio, foi parar na Consultoria Jurídica da Casa, que irá analisar o áudio e a ata da sessão para verificar se houve quebra de decoro parlamentar por parte de Paulinho.

 

Para quem não se lembra, o ‘Grupo dos 14’, que comanda a Mesa Diretora, rejeitou o Projeto de Lei 086/2017 de Paulinho do Raio-X, que previa a colocação de um ‘profissional acolhedor’ nos hospitais municipais e particulares da cidade do aço. Os advogados da Câmara, entretanto, afirmaram que o projeto seria inconstitucional. Paulinho se irritou e afirmou que o projeto teria sido rejeitado por ‘ego’ dos colegas. Não satisfeito, disparou contra Neném (PSB): “Eu encontrei vários homens aqui dentro, mas encontrei uma criança que sempre tomou leitinho da prefeitura, de todas as secretarias. Foi eleito por causa do leitinho da Smac, da Fazenda. Essa criança não cresceu. E toda a semana fica me provocando”, desabafou.

 

O fato irritou não só a Neném como outros parlamentares do ‘Grupo dos 14’. E na sessão de segunda, 15, todos aprovaram um requerimento de Neném solicitando que a Consultoria Jurídica da Câmara analisasse o caso. O intuito é óbvio: ver se Paulinho do Raio-X quebrou o decoro parlamentar. “O caso não é para cassação de mandato, mas gera um desgaste desnecessário para o Paulinho. Ele poderia ter pedido desculpas, por exemplo. Agora, corre o risco de levar uma advertência ou até ser suspenso de suas atividades”, ponderou um dos vereadores, pedindo para não ser identificado.

 

O desgaste de Paulinho ficou claro quando, após fazer o pedido para que o caso fosse investigado, Neném subiu à Tribuna para fazer um desagravo. Detalhe: foi a primeira vez que o parlamentar utilizou a tribuna. “É com muito pesar que venho aqui”, disparou. “É que na sessão passada o vereador Paulinho do Raio-X me acusou com calúnias”, completou Neném, sendo ouvido com atenção por todos os vereadores. Paulinho olhava fixamente para a Tribuna, mas não demonstrava reação.

 

Neném negou que, como Paulinho havia dito, teria lhe pedido o voto para aprovar as contas do ex-prefeito Neto. “Não pedi para ele e nem para ninguém”, jurou, negando que tenha xingado Paulinho de ‘filho da p*’. “Tivemos uma discussão, mas não lhe xinguei assim. Minha mãe já faleceu e meu pai está doente, nunca faria isso”, completou. “Equivocadamente ele me considerou como um animal, me chamando de vaca, falando que tomo leite ou mamei na teta do governo. Sou vereador há 12 anos. O governo (Neto) já estava aí. É muito cinismo falar que eu mamo nas tetas. Eu era vereador, se tive acesso em todos os lugares da prefeitura é porque dava respeito e sou respeitado. Diferente dele, que era servidor e todos nós sabemos como fazia sua política”, ironizou.

 

Neném foi além. Disse que Paulinho do Raio-X teria mentido quando o acusou de ter articulado a reprovação de seu projeto. “Eu cheguei atrasado à sessão. O problema dele era com o Carlinhos Santana, não comigo. Quando cheguei, vários vereadores me pediram para votar contra o projeto dele. Eu votei contra o projeto, não porque é dele. A Consultoria disse que era inconstitucional e eu não gostei muito da proposta”, argumentou.

 

Neném destacou ainda que Paulinho do Raio-X teria dito a interlocutores que o prefeito Samuca iria exonerar todos os funcionários ligados a ele, Neném, da mesma forma como teria feito com os aliados de Carlinhos Santana (SD). “Eu não tenho medo de nada nessa vida. Eu posso aposentar amanhã se o Temer não me atrapalhar, trabalho desde os 16 anos. Voto sempre com consciência. E não acredito que o prefeito vai dar tanta moral para um parlamentar desse nível”, disparou, ressaltando que sempre se deu bem com parlamentares de oposição, como Pedro Magalhães, Edson Quinto, Granato. “Nunca tentei prejudicar ninguém. Nem esse poder eu tenho. Sempre respeitei todo mundo”, acrescentou.

 

Quem pediu a palavra para se posicionar foi Carlinhos Santana. Disse que pediu votos contra o projeto de Paulinho por ele ser inconstitucional. “Ele sabe disso. Tenho respeito por ele”, disparou, ressaltando que as demissões que Samuca fez, de seus aliados, não o atrapalharam em nada. Fernando Martins (PMDB), por sua vez, pediu à Mesa Diretora que seja criado um Código de Ética na Casa. “Aqui nós temos a imunidade parlamentar. Mas entre os amigos temos que ter respeito. Podemos discordar e divergir, mas não agredir pessoalmente um colega de bancada. Acho que a gente poderia criar um Código de Ética”, avaliou.

 

Já Granato (PTC), um dos mais experientes parlamentares, tentou contemporizar. Garantiu que a discussão foi um fato isolado. “A gente fica preocupado com o desdobramento de tudo. Houve excesso? Houve. Mas o que aconteceu na semana passada, quando o vereador disse a palavra ego, talvez ele não tenha se expressado direito”, pontuou. “O que não podemos é desrespeitar e menosprezar um colega, dizer palavras chulas. Temos que ter respeito. Eu tenho preocupação grande com o desdobramento disso tudo. Acho que deveríamos começar a analisar com tranquilidade a forma de tratar o outro”, disse.

 

O que chamou a atenção de quem estava presente na sessão de segunda, 15, é que o ‘Grupo dos 7’ não se manifestou. Tem mais. Até Paulinho do Raio-X não foi contra o pedido para que a Consultoria Jurídica analise se faltou ou não com o decoro parlamentar.

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