Bolso vazio

Não é só a saúde do bolso do desempregado que sofre. Além de ver as contas se acumularem, quem perde o trabalho pena com alterações no sono e no apetite, e uma queda na autoestima, complicando ainda mais o que já é difícil. Prova disso é um levantamento feito pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), que ouviram 600 pessoas em todas as capitais brasileiras, e aponta que 54% dos desempregados desenvolveram alteração do sono, seja insônia ou vontade maior de dormir.

Além disso, outros 47% apresentaram aumento ou perda de apetite. E com a ansiedade provocada pela falta de trabalho – que atinge 70% dos entrevistados -, 16% dos desempregados ouvidos na pesquisa passaram a descontar em algum vício, seja cigarro, álcool ou compulsão alimentar. Ou seja, perder o emprego faz muito mal para a saúde do trabalhador.

As consequências da perda do emprego na saúde não param por aí: 45% dos entrevistados passaram a sofrer de enxaquecas com frequência, assim como 35% tiveram alterações da pressão arterial. E há ainda a questão da convivência social, já que 56% dos ouvidos no levantamento desenvolveram um sentimento de baixa autoestima, enquanto outros 45% passaram a sentir-se envergonhados perante a família ou amigos próximos após perderem o emprego.

Alguns – 11%, segundo a pesquisa – passaram a cometer agressões verbais contra amigos e familiares. Pior, 8% partiram para as vias de fato. Por conta de todo o abalo psicológico, 57% dos entrevistados afirmam que têm menos vontade de sair de casa, e 21% dizem que se afastaram do convívio social. Insegurança, ansiedade, estresse, angústia, desânimo e medo foram outros sentimentos negativos citados pelas pessoas ouvidas na pesquisa.

“O desequilíbrio emocional pode agravar ainda mais a situação de desemprego, prejudicando a capacidade da pessoa de refletir e agir da forma mais racional. A saúde da pessoa pode se deteriorar, assim como a harmonia no ambiente familiar e entre amigos. Por isso é importante manter a calma e concentrar energias na busca por uma nova colocação. Enquanto não chegam oportunidades viáveis de trabalho, vale à pena buscar qualificar-se ainda mais profissionalmente, a fim de aumentar as chances de empregabilidade”, orienta a economistachefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti.

 

Obesidade é barreira no mercado de trabalho

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E se o desemprego mexe com o apetite dos trabalhadores sem uma ocupação, mexe também com a balança, e aí entra mais um componente nesta equação dramática: a obesidade, que pode chegar a se tornar uma empecilho na hora de conseguir a tão sonhada vaga no mercado de trabalho.  

Apesar de no Brasil não haver estudos formais sobre o assunto, no país com a maior taxa de obesidade do mundo, os Estados Unidos, pesquisas já comprovaram a ligação entre a obesidade e a dificuldade para conseguir um emprego. A dificuldade de locomoção e as consequências da obesidade na saúde – como pressão alta, dores nas articulações e diabetes – estão entre as principais causas apontadas nas pesquisas para que as pessoas com obesidade demorem mais a conseguir uma colocação no mercado de trabalho. 

A dificuldade pode ser tanta que a única saída é uma cirurgia bariátrica, que felizmente no Brasil pode ser feita pelo SUS (Sistema Único de Saúde), incluindo Volta Redonda. E para quem acha que as duas coisas não estão relacionadas, basta olhar os números levantados pela equipe do cirurgião Cid Pitombo, coordenador do Programa Estadual de Cirurgia Bariátrica do Rio de Janeiro. Pelo levantamento feito com os operados – desde 2010, quando o programa foi criado, mais de 2,4 mil pessoas se submeteram à cirurgia bariátrica -, a renda média familiar aumenta em torno de 30% após o procedimento e a retomada da vida profissional. “O nosso objetivo é conseguir devolver à sociedade pessoas com saúde melhor, que não trabalhavam e que tinham baixa autoestima e não tinham vida afetiva. Agora eles têm uma vida nova”, afirma Cid Pitombo.

Perdeu o emprego? Saiba o que fazer (e o que não fazer)

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A perda do emprego mexe com as finanças, a saúde, a cabeça, enfim, transforma a vida das pessoas, o que pode se tornar um caos. Mas algumas dicas podem tornar esse momento tenso algo menos apavorante, e ainda ajudar a ter maiores chances para uma recolocação no mercado de trabalho. E não é preciso muito esforço, atitudes simples podem fazer toda a diferença na hora em que tudo está balançado: cabeça, corpo e bolso.

A primeira delas é fazer uma geral das finanças, organizando o orçamento. Saiba quais são as contas básicas da casa, e corte tudo o que for desnecessário. Economizar cozinhando em casa ao invés de comer na rua, por exemplo, é uma boa estratégia. Se exercitar na rua, correndo ou usando os aparelhos de ginástica disponíveis em praças, são opções para economizar com a academia. Claro, sempre buscando orientação médica.

Procurar novas formas de renda com habilidades já adquiridas – cozinha, artesanato ou vendas – também é uma saída. Se não conseguir pensar em nada, vender coisas que não se usa mais é um bom começo: além de se livrar das tranqueiras, ainda pode levantar um dinheiro extra, em uma época em que isso é muito importante.

É importante também por a mão na massa: um emprego não cai do céu. É preciso atualizar o seu currículo, e começar a enviá-lo para as empresas que estejam dentro da sua área de atuação. Procurar agências e se cadastrar em sites de busca de emprego são outra iniciativa que deve ser tomada. Também vale procurar o Sine (Sistema Nacional de Empregos), que após cinco anos desativado, voltou a funcionar em Volta Redonda, dentro do ‘Na Hora’, na Avenida Antônio de Almeida, no Retiro.

A maioria dos especialistas não considera a mudança de área uma boa opção, principalmente com a crise. No momento atual, as empresas buscam uma combinação de experiência e formação. Mas investir em cursos de especialização na sua área – seja uma pós graduação ou MBA – pode ser uma boa ideia. Mestrado, só se a ideia for partir para dar aulas. Claro que tudo isso tem um custo, então procurar boas opções de cursos gratuitos – pela Internet, por exemplo – é outra saída. É só pesquisar, porque instituições como Sesi e Sebrae, entre outras, oferecem boas opções.

Partir para a iniciativa própria, procurando abrir o próprio negócio, pode ser uma opção, mas especialistas apontam que existem várias armadilhas nesta opção, e o que poderia ser uma saída pode aumentar a dor de cabeça. Conhecer o ramo em que se quer atuar é fundamental, além de procurar saber se o tipo de negócio que se tem em mente vai funcionar naquela região. Também é necessário ter em mente que abrir um negócio gera despesas, por isso, um planejamento detalhado é primordial.   

Pensando nisso, partir para a informalidade ou a modalidade MEI (Micro Empreendedor Individual) é uma boa saída. O MEI – como o próprio nome diz – é a “empresa de uma pessoa só”, e pode facilmente operar em uma residência, por exemplo, eliminando boa parte dos custos. Caso o negócio dê certo e se expanda, é possível alugar uma nova sede, se for o caso. Mais uma vez, conhecer e ter aptidão para o que se faz é uma excelente estratégia. Uma pessoa tímida trabalhar com vendas diretas, por exemplo, pode não ser a melhor ideia.

Mas, e o que não fazer quando se perde o emprego? A primeira coisa é não sair falando mal do antigo emprego, muito menos do chefe e dos colegas que ficaram. Afinal, todos estão tentando sobreviver. E mesmo se tiver com muita raiva do lugar, nunca, jamais, use as redes sociais para liberar sua ira. É um tremendo tiro no pé, principalmente porque os futuros empregados levam esse tipo de atitude em conta. Também evite mexer no dinheiro que tiver guardado, ele é uma segurança.

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