quarta-feira, maio 29, 2024
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Barrados na rua

CSN não recebe pauta do ACT 2023/24 e nem atende sindicalistas

Por Pollyanna Xavier

No dia 31 de março, a ausência dos trabalhadores na assembleia que aprovou ‘por unanimidade’ a pauta de reivindicações do Acordo Coletivo 2023/24 deveria ter servido de
termômetro para medir a temperatura do que vem pela frente na campanha salarial da CSN. Não é para menos. Já na quarta, 5, o movimento recebeu um balde de água fria quando Edimar Miguel, Fernando Jogaib e Valéria Martins, presidentes dos sindicatos dos
Metalúrgicos, Engenheiros e Vigilantes, respectivamente, não conseguiram nem entregar a pauta dos pedidos para a direção da CSN. Eles foram até a sede da empresa, no bairro Itaim Bibi, em São Paulo, mas não foram recebidos por ninguém. Nas redes sociais, esbravejaram. “Foi constrangedor e humilhante”, avaliaram.
Eles teriam até visto o presidente da CSN, Benjamin Steinbruch, entrar no prédio, enquanto esperavam por autorização para subirem até o andar do RH. “Ele adentrou o prédio sem ao menos receber os representantes sindicais. Foram horas de espera e no fim não protocolaram a pauta de reivindicações”, reclamou Edimar, que foi além: “Não será fácil, mas não vamos desistir, pelo contrário, ganhamos mais força para seguir lutando”, avisou, sem dar detalhes de como o seu sindicato vai reagir. Ainda deve estar pensando na
assembleia de aprovação da pauta, à qual o ‘peão’ da CSN não compareceu. Os poucos presentes, como o aQui mostrou na edição passada, eram sindicalistas de São Paulo e Minas que vieram apoiar Edimar. Nas fotos e vídeos que circularam pela internet, quase
não se via metalúrgicos da CSN. Para Edimar, o ato foi prejudicado pela forte chuva que caiu em Volta Redonda naquele dia, mas há quem garanta que as reivindicações da pauta, sobretudo dos itens econômicos, desanimaram os trabalhadores pela distância da realidade. Foram pedidos 22% de reajuste salarial, PLR de 10% do Ebitda ajustado e ainda
um cartão-alimentação de mil reais. Outra questão polêmica da pauta refere-se ao último item acrescentado por Edimar, anunciado na assembleia do dia 31: o pagamento do Adicional de Risco, previsto na Lei Federal 4.860/65, para todos os operários da UPV. O
problema é que a lei, citada pelo próprio Edimar, garante o benefício apenas aos trabalhadores de áreas marítimas (instalações portuárias), não de áreas terrestres. O item parece ter sido incluído na pauta por influência de sindicalistas de Minas, Rio e São Paulo, que estiveram em Volta Redonda e foram informados dos dois acidentes ocorridos na UPV
na última semana. Ao final da assembleia, Edimar avisou que entregaria a pauta unificada
para diretores da CSN, em São Paulo. “Foram horas de espera, cada hora uma desculpa para não receberem e nem autorizarem nenhum funcionário a protocolar a pauta de reivindicações”, informou em nota à imprensa. Além de Edimar, Fernando e Valéria, estiveram em São Paulo representantes dos sindicatos Metabase de Congonhas (MG) e dos Portuários (RJ), mas nenhum dos cinco sindicalistas foi recebido. O que era de se esperar, afinal a CSN não reconhece o Sindicato de Edimar & Cia.
Na nota aos jornais, Edimar contou que teriam sido informados que nenhum funcionário da CSN São Paulo estava autorizado a receber a pauta de reivindicações. “A secretária da empresa que estava em conversa com o grupo parou de responder e pediu para a
administradora do condomínio falar que já havia encerrado o expediente. Isso às 15h30. Foi constrangedora e humilhante a forma como a empresa nos tratou. Além de tudo, somos trabalhadores e merecíamos respeito”, reclamou. “Isto é antidemocrático”, emendou Jairo Jogaib, comentando que os seguranças da CSN chegaram a passar uma informação ao
funcionário do protocolo, via rádio, que não recebesse nenhum documento. O aQui enviou um pedido de informação ao diretor de Comunicação do Sindicato dos Metalúrgicos e ao
Senge sobre os próximos passos que serão tomados a partir da recusa da CSN. Mas, até o fechamento desta edição, não obteve respostas.

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