UniFOA estuda acionar Justiça questionando critérios do Enamed
Pollyanna Xavier
A polêmica envolvendo o resultado do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) 2025, divulgado pelo MEC, movimentou faculdades de Medicina de todo o país. Em Volta Redonda não foi diferente. Apontado como tendo um desempenho baixo, devido a inconsistências técnicas, o UniFOA emitiu uma nota de esclarecimento, questionando os métodos de aplicação do exame. Para se ter uma ideia, a prova (conduzida pelo Inep/MEC) teve 10% das questões anuladas, o que provocou alterações significativas no resultado final das instituições avaliadas.

A situação gerou revolta e colocou em xeque a qualidade do ensino do curso de Medicina oferecido pela Fundação Oswaldo Aranha.
No caso específico do UniFOA, o número de estudantes inicialmente classificados como proficientes caiu de 75 para 62, o que pode ter evidenciado fragilidades no processamento dos dados do Enamed. Para piorar, segundo o UniFOA, o exame não avaliou o curso de forma integral, mas apenas um recorte específico de estudantes em determinado momento, o que limita sua capacidade de refletir a qualidade global da formação médica.
O próprio UniFOA questionou isso com base na lei do Sinaes, que estabelece uma avaliação multidimensional do ensino superior, incluindo projeto pedagógico, infraestrutura, corpo docente e inserção prática no Sistema Único de Saúde (SUS). Aliás, por esse tipo de avaliação – considerada completa –, o UniFOA recebeu a nota máxima do MEC em 2025, e o selo de acreditação SAEME-CFM, válido até 2029.
O Enamed avaliou 351 cursos de Medicina no Brasil, e 107 obtiveram notas 1 e 2. Desses, 99 estariam sujeitos a penalidades, que podem incluir redução do número de vagas ou outras medidas regulatórias, em razão do desempenho insuficiente. O UniFOA recebeu nota 2 e aguarda esclarecimentos do MEC e do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Ineap) para decidir se vai acionar a Justiça questionando as inconsistências do Exame. Faz bem.

