terça-feira, maio 26, 2026
CasaEditoriasPolíciaArrumando as contas

Arrumando as contas

24-08-2018 - coletiva - gabriel borges (7)

O prefeito Samuca Silva reuniu a imprensa na manhã de ontem, sexta, 24, para falar sobre as finanças do Palácio 17 de Julho. A situação anda tão feia que a coletiva durou cerca de duas horas. Tanto que foi definida por Samuca como uma “tempestade”, motivada pela queda na arrecadação e, principalmente, pela falta de repasses dos governos do Estado e Federal. E ainda pela quantidade de precatórios, deixados por administrações anteriores, que estão explodindo no seu colo (governo).

 

“O que estamos passando não é nem uma tempestade, é um furacão”, disparou. “Estamos enfrentando dificuldades desde o primeiro dia de governo”, completou, lembrando que outro motivo extra da crise é motivado por um decreto do governo do Estado que reduziu a alíquota de participação no ICMS de Volta Redonda.

 

De acordo com os números apresentados, relativos a 2017, a situação financeira do município chega a ser melhor este ano que no anterior, mas ainda assim a prefeitura estaria tendo dificuldades para cumprir seus compromissos, como pagamento de fornecedores e dívidas. “Com o bloqueio do TJ-RJ, por exemplo, nós não temos dinheiro para cumprir a folha de pagamento. Mas isso deve estar resolvido até segunda (27), já que conseguimos um acordo com o Banco do Brasil para utilizarmos os depósitos judiciais”, relatou Samuca, afirmando que a prefeitura conseguiu desbloquear cerca de R$ 11 milhões, que serão usados para pagar uma parcela dos precatórios, que chega a R$ 138 milhões.

 

Aliás, a suspensão temporária do pagamento da dívida dos precatórios foi o que provocou o bloqueio dos recursos existentes nos caixas do Palácio 17 de Julho. “‘Fomos a primeira cidade do interior a fazer este tipo de operação. Só Volta Redonda e o município do Rio de Janeiro fizeram isso”, destacou Samuca, garantindo que a medida mostra “a vanguarda e o cuidado que a prefeitura está tendo com as contas públicas”.

Medidas imediatas

Entre as medidas imediatas anunciadas por Samuca para equilibrar as contas estão o lançamento de um PDV (Plano de Demissão Voluntária) para reduzir a folha de pagamento, hoje na casa de R$ 40 milhões; o cancelamento de festas como a Feira da Primavera e a Festa do Servidor, e viagens, com exceção da Saúde. Além disso, Samuca disse que haverá redução de 25% nos contratos de todas as secretarias. “Sem prejuízo para os serviços”, ressaltou, anunciando ainda que a data de pagamento dos servidores será flexibilizada até a data máxima autorizada por lei, o quinto dia útil do mês subsequente.

 

 Outras ações passam por oferecer a concessão ou uma parceria privada para o Estádio Raulino de Oliveira; a transferência de serviços do Hospital São João Batista para o Santa Margarida; e a negociação de novos parcelamentos de dívidas da Cohab, da prefeitura com a Light, e processos trabalhistas.

Dívidas

Anunciando desde o início da entrevista que não trataria de “temas políticos”, Samuca não soltou nenhuma farpa contra o ex-prefeito Neto. E, de acordo com os cálculos do governo, a dívida registrada contabilmente da prefeitura em 2017 – que inclui precatórios, Cohab, e restos a pagar – é da ordem de R$ 699,8 milhões, apresentando uma queda de aproximadamente R$ 100 milhões em relação ao ano anterior. A dívida não registrada – dívidas com a CSN (R$ 200 milhões, em disputa na Justiça), Light (R$ 34,5 milhões), desapropriações (R$ 20,4 milhões) e custo de implantação do PCCS (R$ 765 milhões) – chega a mais de R$ 1 bilhão. Ou seja, no total a dívida da prefeitura de Volta Redonda seria estratosférica: R$ 1,7 bilhão.

 

Artigo anterior
Artigo seguinte
ARTIGOS RELACIONADOS

Casamento infantil (II)

Em busca do fim!

Na bala! (II)

LEIA MAIS

Pé na política

Melhor não!

Pedágio turístico

Seja bem vindo!
Enviar via WhatsApp