Aqui jaz

Paolla Gilson

Todo ano é a mesma coisa. Às vésperas do feriado de 2 de novembro, os cemitérios da maioria das cidades brasileiras passam por um verdadeiro “banho de loja” para receber as famílias na triste data. Em Volta Redonda não é diferente. Ou melhor, é, pois o Cemitério do Retiro vem recebendo tratamento especial já há duas semanas, sem contar que em janeiro passou por um pente-fino, durante operação feita pela prefeitura com cerca de 130 homens da secretaria de Obras. De lá pra cá, poucos problemas surgiram e assim mesmo deverão ser resolvidos até o próximo dia 1º de novembro, véspera do Dia de Finados.

 

A manutenção é importante, claro. Entretanto, é necessário que as autoridades também se preocupem com a contratação de mais trabalhadores para o Cemitério do Retiro, principalmente coveiros, para que não ocorra o problema que, às vezes, acontece: não é possível, por exemplo, realizar dois ou mais enterros ao mesmo tempo porque o cemitério só conta com cinco coveiros de segunda a sexta e apenas três nos finais de semana. Para se ter uma ideia da gravidade da situação, atualmente são feitos cerca de sete sepultamentos por dia (isso mesmo, por dia). “Quando isso ocorre, enterra quem chegar primeiro. O segundo fica à espera debaixo de sol ou chuva”, contou um ex-funcionário do Palácio 17 de Julho ao enterrar uma prima no início do mês.

 

Outro pequeno problema, além da escassez de coveiros, é que o cemitério do Retiro fica abandonado à própria sorte durante as noites, o que facilita as invasões, vandalismo, furtos e até mesmo desova de corpos assassinados por traficantes da região. De acordo com um servidor da unidade, a recepção do cemitério municipal já foi ‘assaltada’ muitas vezes. “Outro dia mesmo um computador foi levado”, contou, pedindo para que seu nome não fosse revelado. 

 

Uma fonte do aQui garante que os dois problemas citados – falta de coveiros e vigilância à noite – serão resolvidos. O primeiro de forma imediata. “Vamos estudar um meio de remanejar alguns ajudantes de outras áreas”, diz ela, garantindo que a ordem teria sido dada pelo secretário de Saúde, Alfredo Peixoto. “Não existe previsão de fazer concurso público para essa função (coveiros, grifo nosso). A alternativa será paliativa”, frisou.

Abandono

 Apesar de estar sendo feita uma “faxina” no local para o Dia de Finados, é possível ainda se deparar com lixo descartado ao longo do caminho (que inclui desde caixas de brinquedo até eletrodomésticos e mobília), jazigos abertos e  quebrados, o que mostra que nem todos se preocupam com a limpeza do local. “As pessoas são insensíveis. O que leva alguém a trazer um armário velho até o cemitério para jogar no meio do mato?”, desabafa um dos servidores. “Tem até TV velha, inútil, jogada por aí”, completa. “E depois jogam a culpa na prefeitura”, ironiza.

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