sexta-feira, junho 21, 2024
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VR registra o primeiro óbito por dengue em 2024; cidade contabiliza 78% de aumento de casos em apenas uma semana

Por Pollyanna Xavier

Na quarta, 7, como o aQui notificou com exclusividade nas redes sociais, Volta Redonda registrou a primeira morte por dengue em 2024. Pelo menos oficialmente. As informações do paciente ainda não foram divulgadas pela Secretaria de Saúde, que considera o óbito como suspeito, apesar de já ter sido confirmado pela SES/RJ. Com o registro, subiu para três o número de óbitos no estado – os outros foram em Itatiaia e Mangaratiba. Há ainda 21 mortes sendo investigadas. Na semana passada, Volta Redonda teria enviado ao Labo-
ratório Central do Estado (Lacen-RJ) cerca de 200 amostras de sangue para análise. O volume, somado com amostras de outros municípios fluminenses, forçou o Estado a aumentar o efetivo do laboratório, com contratações temporárias e plantões aos sábados, domingos e com previsão de trabalho intenso no carnaval.
Os bairros com maior incidência de dengue são Retiro, Santo Agostinho, Sessenta e Conforto, sendo este último um dos mais críticos em número de focos e de casos. O bairro abriga a UPV, e a recomendação do Estado é de que a Secretaria de Saúde oriente a direção da CSN a criar brigadas contra o mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika, chikungunya e febre amarela urbana. O objetivo é garantir pelo menos uma inspeção semanal por toda a extensão da usina, verificando possíveis depósitos e eliminando focos.
A ação é necessária porque os casos de dengue em Volta Redonda quase dobraram na última semana. E o registro do primeiro óbito acendeu um novo alerta no município. Para se ter uma ideia, a cidade do aço fechou janeiro com 555 casos prováveis da doença e até quinta, 8, o número tinha subido para 993. Um salto de 78% em apenas uma semana. O cenário exigiu uma resposta rápida da Secretaria de Saúde, que montou forças-tarefas para o enfrentamento da doença.
Várias ações estão previstas, dentre elas a de manter o mutirão de limpeza nos bairros para a remoção de inservíveis e o uso de drones para identificar depósitos altos e expostos, como caixas d’água destampadas. Outras medidas de enfrentamento são a colocação de caçambas em lugares estratégicos, para que a população faça o descarte adequado de materiais inutilizáveis e ainda a distribuição de telas para caixas d’água destampadas. Vale ressaltar que a tela é uma medida emergencial paliativa, que não substitui a tampa original das caixas d’água.
Todas as medidas citadas, inclusive o uso de drones, foram anunciadas pelo prefeito Neto e pela coordenadora da Vigilância Ambiental, Janaína Soledad, durante uma reunião intersetorial realizada na terça, 6. “O drone vai contribuir com o trabalho dos agentes de endemias no mapeamento das caixas d’água. Ao nos depararmos com uma caixa d’água destampada, que pode servir de abrigo e proliferação para o Aedes, iremos oferecer, gratuitamente, uma tela de proteção para manter o reservatório devidamente fechado”, comentou Janaína.
Outra medida adotada é a aquisição de seis novos fumacês UBV (Ultra Baixo Volume) altamente específicos e indicados para o controle de vetores. Os equipamentos serão usados nas ações de bloqueio, com o apoio da Superintendência Vigilância Epidemiológica e Ambiental do Estado (SVEA), que disponibilizou um veículo próprio para o uso do UBV.
Acerca dos mutirões de limpeza, a Prefeitura disponibilizou uma programação que pode ser acessada nas suas redes sociais, com a lista dos bairros contemplados com a ação. Na semana que vem, por exemplo, nos dias 15 e 16, o mutirão acontecerá no Siderópolis, a partir das 8 horas. A ideia é intensificar os trabalhos nas áreas mais endêmicas, com vistoria nas residências, orientação aos moradores e a colocação de caçambas em locais estratégicos, para que a população descarte materiais que servem de potencial foco para o mosquito.
Ainda com relação aos números da dengue, o Estado considera epidemia quando o
município registrar 500 casos para cada 100 mil habitantes, mais uma curva ascendente de casos no diagrama de controle por 3 a 4 semanas seguidas. O cálculo é feito com base na proporção de casos e no número de habitantes da cidade. Nesta equação, os municípios da região que mais se destacam com taxa de incidência acima de 500/ 100 mil habitantes são Itatiaia, Resende e Piraí. Os três decretaram situação de emergência em Saúde Pública.
Quanto a Volta Redonda, será necessário atingir 1.308 casos para que seja configurado o estado de epidemia. E só nas cinco primeiras semanas do ano, foram registrados 993 casos e um óbito. Infelizmente, o estado do Rio como um todo mantém tendência de aumento na transmissão de casos de dengue com circulação bem acima do limite máximo esperado para o momento. O risco está aumentando, e o alerta foi acionado.

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