Água salobra

11-05-2017 - coletiva saae vidal - gabriel borges (4)

Há pouco mais de quatro meses comandando o Palácio 17 de Julho – o que nem ele esperava, é bom que se frise – o prefeito Samuca Silva (PV) completou apenas 10% do seu mandato. Apesar do curto período, ele já criou várias polêmicas. E se desgastou na maioria delas. A última foi anunciada na manhã de quinta, 11, e vai doer no bolso dos moradores. Isso porque o chefe do Executivo autorizou um reajuste da tarifa de água e esgoto de exatos 25,49%, e não 18% como disse o diretor executivo da autarquia, Leonardo Vidal. “Em março, o Conselho Deliberativo do Saae aprovou um reajuste de 6,29% e agora um aumento de 18,90%. Assim, o reajuste total é de 25,49%. Deve-se considerar um sobre o outro” comparou uma fonte do aQui.  

 

O objetivo do reajuste, segundo Vidal, foi para compensar o aumento dos custos, mesmo argumento que as empresas de ônibus usam, sem sucesso, para pedir a Samuca que reajuste as passagens das linhas municipais de Volta Redonda (ver página 16). “Uma das nossas funções é não deixar que o Saae tenha prejuízo. Quando assumimos, em 2 de janeiro, o balanço financeiro já estava negativo. A previsão é que fechássemos no vermelho já em janeiro. Tomamos algumas medidas de adequações e conseguimos ter um fluxo de caixa melhor. Mas se não fizermos nada, vamos chegar em julho com déficit financeiro”, justificou o executivo.

 

Leonardo Vidal fez questão de destacar que o aumento foi aprovado por unanimidade pelo Conselho de Administração do Saae-VR, composto, entre outras, por dois membros da prefeitura e dois vereadores (Edson Quinto e José Augusto), e por Joselito Magalhães, presidente do Conselho, indicado por Samuca. “Fizemos um estudo e mostramos para o Conselho que seria necessário um reajuste de 18% (18,90% grifo nosso). Foi aprovado por unanimidade. Mas ao invés do índice, eu peço a atenção para o valor que isso vai acarretar. 55% da população estão na faixa de cobrança de até 10m³ por mês. Esses terão um reajuste de R$ 3,62 nas contas”, disse. “Quando falamos 18% (18,90%) parece muito, mas é só R$ 3,62”, ponderou, sem saber que mais tarde o aQui descobriria que o reajuste total foi de 25,49%.

Adequação

Na coletiva, Vidal chegou a destacar que o último aumento na tarifa havia sido feito em 2015. Antes disso, só em 2007. “Depois era só o reajuste do IPCA”, pontuou. “O que foi possível economizar a gente fez, agora será preciso fazer essa adequação”, justificou, lembrando que 34% dos gastos do Saae-VR são com energia elétrica. “E houve um reajuste agora de quase 12% na energia. Nos últimos quatro anos, a Light reajustou a energia em 118% e nossa tarifa subiu apenas 48%”, comparou.  

 

Vidal ainda mostrou um comparativo entre o preço cobrado na cidade do aço em relação a outras cidades. Em Volta Redonda, com o reajuste (só de 18,90%, grifo nosso), 10m³ saem por R$ 23,71. Em Barra Mansa, a mesma quantidade é R$ 42,26. “Temos uma tarifa muito defasada. Os custos aumentaram mais do que os reajustes. Não estou preocupado com a tarifa de outras cidades, mas mostro essa tabela apenas como comparação. Essa adequação tarifária que estamos propondo vai nos ajudar a fechar no azul as contas”, disse, esquecendo – se também de mencionar que o Saae-VR vende água para o Saae-BM, o que pode explicar os R$ 42,26 cobrado na cidade vizinha. 

 

Questionado pelo aQui se houve alguma rejeição de Samuca Silva para o percentual do reajuste, Vidal disse que isso não aconteceu. “Desde que mostrei os dados, não tivemos qualquer rejeição, seja do prefeito ou dos membros do Conselho de Administração. Na verdade, qualquer pessoa razoável que veja os dados vai entender que era preciso essa adequação”, revelou, destacando que a prefeitura de Volta Redonda começou a pagar a conta de água, de cerca de R$ 170 mil por mês, ao Saae desde janeiro.

Investimentos

Segundo Leonardo Vidal, o reajuste na tarifa de água vai apenas cobrir os custos operacionais da autarquia. Investimentos na rede de abastecimento, segundo ele, deverão ser feitos através de parcerias com empresas privadas – conhecido como ‘Contrato de Performance’. “É um modelo usado pela Sabesp e em outras cidades do Brasil, como do Sul”, explicou. A parceria funciona da seguinte forma: a empresa faz as melhorias na tubulação e recebe, durante alguns anos, os valores que conseguiu economizar. Ou seja, hoje Volta Redonda perde 55% da água tratada. Se diminuir para 35%, por exemplo, a empresa ganhará 20% dos custos de produção como pagamento. “Queremos lançar o edital do Contrato de Performance até setembro”, revelou.

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