Água salobra

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Prefeitos querem fim do contrato com a Rio+Saneamento

Os 17 prefeitos que reclamam da Rio+Saneamento, responsável pelo abastecimento de água em seus municípios, terão uma excelente oportunidade para, frente a frente, mostrar aos representantes da empresa que a água que fornecem é pouca. E ruim. O encontro entre eles, com a presença de Pezão (Piraí), Babton (Rio Claro) e Luciano (Pinheiral), está confirmado para o próximo dia 17, às 11 horas, e será realizado na sede da Agenersa (Agência Reguladora de Energia e Saneamento Básico do Estado do Rio de Janeiro), no Centro do Rio de Janeiro. 

  Vai sobrar também, é claro, para a própria Agenersa, afinal, cabe a ela administrar o abastecimento oferecido pela Rio+. E ainda para o governo do Estado, que ficou de enviar alguém de peso para administrar a crise. “É igual a água salobra”, definiu um deles, referindo-se ao sentido figurado da expressão. “É muito difícil lidar com a Rio +”, justificou. 

  Ele pode ter razão. É que, se depender apenas dos prefeitos, o contrato da Rio+ poderá ser cancelado. “Todos já conversamos com a empresa e recebemos promessas de investimentos que não se concretizam”, pontuou o prefeito de Rio Claro. “Queremos o cumprimento do contrato firmado”, acrescentou.

Em entrevista ao aQui, o prefeito de Piraí, Luiz Fernando Pezão, dá detalhes da insatisfação com a Rio+. “Eles estão se empenhando para resolver a falta de água em Arrozal, no Varjão, na Jaqueira, Caiçara”, disse, referindo-se aos locais onde a falta de água é constante. Tem mais. Pezão reclama do preço cobrado pelo fornecimento de água no município. “Tem que rever o preço da tarifa”, disparou. 

No encontro do dia 17, Pezão garante que irá tocar num ponto crucial e que não agrada aos dirigentes da Rio+: o pagamento de uma parcela de outorga da ordem de R$ 1.700 mil, devido pela empresa desde que venceu o leilão da Cedae, arrematado pela Rio+ Saneamento em dezembro de 2021. “Queremos rever pontos do contrato de concessão”, disse, referindo-se a um possível rompimento do grupo de 17 prefeitos com a Rio+.
Outorga

 O valor total da outorga fixa do Bloco 3, onde está Piraí, foi de R$ 2,2 bilhões, conforme levantamento feito pelo aQui. O montante deveria ser dividido entre o governo do Estado do Rio, que ficaria com 80%, e os 20 municípios integrantes do bloco, sendo 20% a serem distribuídos proporcionalmente à população e infraestrutura de cada um deles. No caso de Piraí, segundo Pezão, o valor chega a quase dois milhões. “Era de R$ 1.700.00,00”, disparou.   

Nota da redação

A assessoria de imprensa da Rio+Saneamento foi procurada pela reportagem do aQui para falar sobre a insatisfação dos prefeitos. Em uma nota de poucas linhas, a Rio+ limitou-se a dizer que está tudo bem. “A Rio+Saneamento reforça que vem mantendo diálogo permanente com os representantes do Poder Executivo dos municípios onde atua, permanecendo à disposição para prestar todos os esclarecimentos necessários”. Pena que não quis responder às perguntas enviadas pelo jornal.