A primeira vez!

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Paolla Gilson

“A primeira viagem ninguém esquece, né?”, resumiu o prefeito Samuca Silva sobre a estreia do prometido ‘ônibus elétrico com tarifa zero’ que ele vai testar durante um mês pelos principais centros comerciais da cidade do aço. Ele tem razão. Só não podia prever que a segunda vez também seria inesquecível. E foi. É que o veículo, zero km, deu pane geral antes mesmo de pegar o seu primeiro passageiro, ao deixar o estacionamento do Palácio 17 de Julho, onde passou a noite à espera da viagem triunfal que seria realizada na manhã de terça, 10.   

 

Viagem que nem chegou a acontecer. O que frustrou a expectativa dos moradores que esperavam passear, de graça, no luxuoso veículo tecnoló-gico que o governo Samuca espera adquirir em futuro próximo (o edital de compras está aguardando análise do TCE). Avisado do contratempo, Samuca desceu as escadas do Palácio. Sua primeira impressão deve ter sido péssima. Afinal, funcionários da prefeitura, o motorista do veículo e um eletricista andavam de um lado para o outro tentando entender o problema que estava impedindo a saída do ônibus elétrico.

 

A espera foi tão grande que uma senhora – que havia saído do “Minha Casa, Minha Vida” do Santa Cruz, só para conhecer o “ônibus do tarifa zero comercial” – precisou pedir água, pois estava há muito tempo em pé debaixo de sol quente. E o pior é que nem na recepção da sede da prefeitura havia copo descartável disponível. Apesar da temperatura estar ‘quente’, quem parecia não estar nem aí era o vereador Pastor Washington. Queria tirar uma casquinha do momento histórico e, ao lado de um cadeirante, fazia selfies e vídeos junto ao ônibus elétrico. Detalhe: sem perceber que o mesmo não iria rodar nem um metro à frente.     

 

Aliás, sem poder circular, o ônibus elétrico virou atração turística e populares entravam na área do estacionamento do Palácio 17 de Julho para tirar selfies dentro e fora do ônibus. Foi o caso de Maria das Graças Portilho. “Vim conhecer o ônibus para confirmar se iria mesmo andar pela cidade. Acho importante essa iniciativa, mas gostaria que o prefeito colocasse remédios nas farmácias, porque a saúde acabou. Concordo com o ônibus, mas precisa investir na saúde também”, declarou. 

 

Tecnicamente a pane do ônibus elétrico estava ligada ao uso da bateria (que custa cerca de R$ 500 mil cada), que é responsável pela movimentação do veículo e ainda pelo funcionamento de diversos dispositivos (ar condicionado, wi-fi, câmera, GPS, carregador com entrada USB etc). A verdade só foi descoberta altas horas da noite de terça, 10, quando os técnicos e responsáveis pelo sistema operacional do veículo chegaram à conclusão que o erro estava no GPS. “Desliguem (o GPS), então”, decidiu Samuca, segundo relato de uma fonte que estava ao lado do prefeito quando este soube das causas do problema que impediu a viagem do ônibus elétrico. 

Estreia conturbada

Na primeira volta do ônibus elétrico, realizada com a imprensa local na segunda, 9, alguns contratempos também surgiram. O sorriso largo do prefeito pelo bom funcionamento do wi-fi e do carregador USB funcionando durou pouco. O ar condicionado deixou a desejar e o veículo não conseguiu parar em um dos pontos escolhidos para o mesmo na Avenida Lucas Evangelista, no Aterrado. Motivo: a faixa foi pintada em frente a um estabelecimento comercial que, no exato momento, estava descarregando materiais de um caminhão estacionado no local onde o ônibus elétrico iria parar. 

 

Marcos Marinho, responsável pela hidráulica “Mata Fogo”, explicou que nem ele e nem seus funcionários foram consultados a respeito do novo ponto de ônibus.  “Acho que é um projeto importante para a cidade e todos nós estamos dispostos a colaborar, mas tem que ser um pouco mais conversado antes de partir para a implantação. Porque o trânsito é muito mais observação do que ação em si. Às vezes é possível, como foi feito na Getúlio Vargas, resolver um problema sem gastar recurso nenhum”, comentou, completando: “Eu já havia lido que iriam colocar um ponto na Avenida Lucas Evangelista, mas não sabia que seria aqui. Então, precisa ver um ponto que não vá atrapalhar o comércio”, avaliou.

 

Samuca, por sua vez, afirmou que o estacionamento dos carros com a nova faixa será uma questão de adaptação, pois “a cidade nunca viu isso (ônibus elétrico)” e aproveitou para relembrar sua proposta de governo. “É uma cultura que vai ser implementada na cidade. Os pontos são específicos, fora do transporte de concessão normal, que também está passando por um processo de transformação. No meu primeiro dia de mandato, vim de ônibus trabalhar. Já demonstrei ali que meu compromisso é com transporte público de qualidade em Volta Redonda. Então, esse transporte zero é mais uma iniciativa que nós usamos para as pessoas utilizarem o transporte público”, ressaltou.  

Quem vai pagar a conta?

Quando questionado sobre os custos do projeto, Samuca garantiu que o mesmo é viável.  “O preço estimado do processo é R$ 1,1 milhão do ônibus (preço unitário, grifo nosso), que no pregão pode reduzir. É um custo único, porque os motoristas são nossos, da rede. O combustível não tem, é elétrico”, contou, completando que o veículo (carroceria, grifo nosso) possui garantia de 20 anos.

 

O prefeito chegou até a abordar, meio que rindo, a capa da última edição do aQui. “Vi a capa do aQui, inclusive o título ‘quem vai pagar a conta?’… Nós vamos buscar financiamento, já estamos buscando”, comentou, completando: “Hoje, nós temos recursos financeiros para adquirir, a prefeitura tem esse recurso. Todas as documentações nós já apresentamos para as agências de financiamento, seja a AgeRio, seja via banco normal… Se não ocorrer, temos recursos para adquirir o ônibus”, pontuou, mostrando estar decidido a adquirir três ônibus elétricos para desenvolver seu projeto de tarifa zero comercial em Volta Redonda. “É importante dizer que, na realidade, o próprio sistema se paga quando você estimula as pessoas a irem para a economia (lojas) comprar, adquirir, gerar emprego e tirar carros da rua”.

Call Center

A previsão é bem otimista: Mil novos empregos serão gerados no ano que vem por uma empresa de Call Center que quer se instalar em Volta Redonda até janeiro de 2018. O protocolo de intenções entre o governo e a empresa já foi até assinado. Quem garante é o prefeito Samuca Silva: “O número de postos de trabalho pode aumentar ainda mais porque a empresa está negociando com um grande banco para assumir o serviço da instituição financeira. De acordo com o protocolo de intenções, ela dará prioridade total para contratar moradores de Volta Redonda”, prometeu Samuca, adiantando que vem negociando com os empresários desde que tomou posse.  

 

O investimento na instalação da unidade gira em torno de R$ 4 milhões, considerando as obras de adequação do prédio onde ela se instalará, que pode ser o antigo escritório central da CSN, e a compra de equipamentos, conforme informações de Pier Paolo Pavese, diretor presidente da empresa. “A nossa qualidade está em nossos operadores e acreditamos firmemente que as empresas são feitas por pessoas. E esse conceito é ainda mais válido e verdadeiro para as empresas de serviços, em que o componente humano determina a diferença em relação à qualidade do produto oferecido aos clientes. Utilizamos os melhores softwares para gerir os fluxos operativos e orientar cada telefonema para nossos operadores”, afirmou.

 

O perfil dos colaboradores da empresa de Call Center, segundo protocolo de intenções, é de jovens e de mulheres procurando a primeira oportunidade de emprego. A prefeitura está estudando dois possíveis locais para receber a empresa. A primeira opção seria o Centro Estratégico Municipal (o antigo Escritório Central da CSN) e outro imóvel no Aterrado.

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